Os números da PRF (Polícia Rodoviária Federal), reunidos pelo Observatório Fetrancesc, que apontam quatro dos 10 trechos mais perigosos do Brasil na BR-101 Norte, em Santa Catarina, escancaram uma realidade preocupante: somente entre os quilômetros 200 e 210, em São José, foram 575 acidentes e 10 mortes em 2025. Vidas interrompidas, famílias marcadas para sempre.
A repetição de um dado negativo não pode ser encarada como mera estatística. O fato de o Estado já figurar nesse ranking em 2024 e ter ampliado sua presença no ano passado demonstra que o problema é estrutural e persistente.
A elevada densidade de veículos, muito acima da capacidade da rodovia, revela um cenário de colapso. Congestionamentos constantes, tráfego intenso de veículos leves e pesados e um crescimento econômico que não foi acompanhado por investimentos proporcionais em infraestrutura compõem uma equação perigosa.
É evidente que são necessárias iniciativas concretas para tornar esses trechos menos arriscados. Ampliação de pistas, melhoria na sinalização, reforço na iluminação, implantação de vias marginais e dispositivos de acesso mais seguros são medidas que precisam sair do papel.
Além disso, o uso de tecnologia, como painéis eletrônicos informativos e fiscalização inteligente, pode contribuir para reduzir comportamentos imprudentes e organizar melhor o fluxo.
No entanto, infraestrutura por si só não resolve tudo. A conscientização dos motoristas é parte fundamental dessa transformação. Respeitar os limites de velocidade, manter distância segura, evitar o uso do celular ao volante e redobrar a atenção em trechos críticos são atitudes simples, mas que salvam vidas. Em uma rodovia sobrecarregada, qualquer descuido pode ter consequências graves.
A BR-101 é uma das principais artérias logísticas do Sul do país. Seu bom funcionamento impacta diretamente a economia, o turismo e o cotidiano de milhares de catarinenses.
Transformar os trechos mais perigosos em exemplos de segurança exige compromisso conjunto: do poder público, com investimentos e planejamento, e dos condutores, com responsabilidade e prudência.
Não podemos naturalizar rankings negativos. Cada acidente é um sinal de que falhamos em algum ponto. E cada vida preservada será sempre o maior indicador de que estamos no caminho certo.