Com a chegada das temperaturas mais baixas e o aumento da circulação de vírus respiratórios, Santa Catarina vive um cenário preocupante: a campanha de vacinação contra a gripe entra em sua última semana com índices muito abaixo da meta.
Apenas um município catarinense – São Miguel da Boa Vista, no Extremo-Oeste – conseguiu ultrapassar a cobertura esperada (90%) entre os grupos prioritários, enquanto dezenas de cidades seguem com menos de 40% da população imunizada.
Os números não podem ser encarados com normalidade. A gripe, muitas vezes tratada de forma banal, continua sendo uma doença capaz de provocar internações, agravar quadros de saúde e causar mortes, especialmente entre idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
Todos os anos, hospitais registram aumento na procura por atendimento em razão das síndromes respiratórias, pressionando ainda mais um sistema de saúde que frequentemente opera no limite durante o inverno.
O mais preocupante é que a vacina está disponível, é gratuita e comprovadamente eficaz na redução de casos graves e mortes. Ainda assim, a adesão permanece baixa.
A negligência coletiva diante da imunização revela um perigoso relaxamento após os anos mais duros da pandemia de Covid-19. Como se a sociedade tivesse esquecido, rapidamente, o peso humano das doenças respiratórias e a importância histórica das campanhas de vacinação no Brasil.
A própria Secretaria de Estado da Saúde já alertou para o risco da baixa cobertura, principalmente entre crianças e idosos, justamente os públicos mais vulneráveis às complicações da influenza. A vacina não impede apenas o contágio. Ela reduz drasticamente as chances de agravamento, internação e morte. A vacinação é um gesto de proteção individual, mas também de responsabilidade coletiva.
A vacina da gripe não causa gripe. O imunizante é atualizado anualmente para proteger contra as cepas mais circulantes do vírus e leva cerca de duas semanas para garantir a resposta imunológica adequada. Esperar os sintomas aparecerem para buscar proteção é um erro que pode custar caro.
Estamos na reta final da vacinação e ainda há tempo para mudar esse cenário. Procurar uma unidade de saúde e colocar a imunização em dia é um ato simples, rápido e capaz de salvar vidas.
Em tempos de tanta polarização e desconfiança, a vacina continua sendo uma das maiores conquistas da ciência, e uma das ferramentas mais eficientes da saúde pública. Ignorar isso é abrir espaço para que doenças evitáveis voltem a ocupar leitos, interromper rotinas e provocar perdas que poderiam ser evitadas.