O Carnaval é, por excelência, um momento de celebração, encontros e alegria. Uma pausa esperada no calendário para renovar energias. No entanto, os números deste ano do período de festas nas rodovias federais que cortam Santa Catarina pintam um quadro alarmante que merece reflexão profunda e urgente.
Dados da PRF (Polícia Rodoviária Federal) mostram que, entre os dias 13 e 18 deste mês, foram registrados 157 acidentes com 18 mortes e 185 feridos nas estradas federais no Estado, aumento significativo em comparação com o mesmo período de 2025, quando houve sete mortes e 142 feridos.
Mais do que estatísticas frias, cada número representa vidas interrompidas e famílias dilaceradas. Entre as ocorrências fatais deste Carnaval, destacaram-se colisões graves em trechos como a BR-282, na Grande Florianópolis, e a BR-101 no Litoral Norte, que ceifaram vidas e deixaram marcas difíceis de apagar.
Em um dos episódios mais trágicos, uma batida de frente tirou a vida de três pessoas da mesma família. Um lembrete doloroso de que a imprudência no trânsito pode extinguir sonhos, planos e futuros de uma só vez.
O aumento de vítimas nas estradas ocorre apesar da intensificação da fiscalização (abordagens, testes de alcoolemia, drones sobrevoando trechos críticos). Tudo para evitar exatamente o que acabou acontecendo. Os números mostram que, ainda assim, há condutas que insistem em persistir: velocidade acima dos limites, ultrapassagens perigosas, e, sobretudo, a combinação mortal de álcool e direção.
É importante frisar que o Carnaval também trouxe aspectos positivos em outras áreas, como a ausência de mortes por afogamento nas praias com guarda-vidas, o que evidencia que a prevenção pode funcionar quando bem organizada e respeitada. No entanto, as estradas continuam sendo um dos espaços onde mais se arrisca a própria vida e a vida do outro, especialmente em feriados prolongados.
Celebrar o Carnaval não pode significar colocar em risco o que mais importa: a vida humana. Beber e dirigir jamais serão compatíveis. Não seguir as leis de trânsito, ultrapassar nos pontos proibidos, ignorar os limites de velocidade ou assumir a direção após consumir álcool pode pôr fim a uma família inteira em segundos. O trânsito não pode continuar sendo palco de tragédias evitáveis.
É responsabilidade de todos, motoristas, autoridades e sociedade, transformar períodos de festa em momentos de consciência. Curtir a folia com alegria não deve custar vidas. Que os números do Carnaval 2026 sirvam de alerta: a vida vale mais que qualquer celebração.