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Durante obra de esgoto, operários encontram peça que pode ser de navio viking de 1.300 anos

Wijk bij Duurstede, Holanda: A pacata cidade do interior que guarda sob o solo os vestígios de Dorestad, o maior porto comercial da Era Viking / Wikimedia Commons

O que era para ser apenas mais uma tarde de valas abertas e tubulações de esgoto na pacata Wijk bij Duurstede, no interior da Holanda, transformou-se em um portal para o passado.

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Entre o barro e as ferramentas de escavação, operários tropeçaram em algo que a terra guardou por mais de um milênio: uma viga monumental de madeira que pode ter pertencido a um autêntico navio viking de 1.300 anos.

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O enigma da viga de madeira

Imagine o susto da equipe ao encontrar, sob o asfalto moderno, uma peça de 3,2 metros de comprimento e 30 centímetros de espessura.

Não era apenas um tronco velho. Os entalhes precisos e os furos de encaixe chamaram a atenção de Kees Sterreburg, especialista em construção naval, que identificou ali o esqueleto de algo muito maior.

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Para a arqueóloga municipal Anne de Hopp, o achado é um “bilhete premiado”. Encontrar vestígios escandinavos tão longe da costa é como achar uma peça de um quebra-cabeça que o tempo tentou apagar.

Mas o que um navio viking fazia longe do mar?

A pergunta é justa: como uma embarcação nórdica foi parar a 70 quilômetros do oceano? A resposta está sob os pés dos moradores. Séculos atrás, aquele solo não era apenas o interior holandês, mas sim Dorestad, a “Nova York” da Alta Idade Média.

Imagine o susto da equipe ao encontrar, sob o asfalto moderno, uma peça de 3,2 metros de comprimento / Prefeitura de Wijk bij Duurstede/Divulgação

Naquela época, a cidade era um fervilhante centro comercial estratégico, conectada pelos rios Lek e Kromme Rijn. Era ali que o coração da Europa pulsava, recebendo navios que cruzavam o Atlântico para trocar mercadorias, histórias e culturas.

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Para além dos bárbaros

Essa viga de madeira conta uma história diferente daquela que vemos nos filmes de Hollywood. Em vez de apenas guerreiros sedentos por sangue, o que emerge do barro de Wijk bij Duurstede é o retrato de um povo de negócios.

Embora os vikings tenham, sim, saqueado a região em meados do século 9, a descoberta reforça que eles eram, acima de tudo, vizinhos comerciais constantes. O navio não estava ali necessariamente para invadir, mas para carregar e descarregar a economia de uma era.

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*Por Raphael Miras

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