O mercado financeiro reagiu com forte volatilidade nesta segunda-feira (26), no primeiro pregão após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o quarto mandato. O dólar comercial fechou o dia disparando 8,21%, negociado a R$ 5,403, na maior valorização percentual em um único dia desde janeiro de 1999.
Na B3, o Ibovespa despencou 13,88%, encerrando aos 176.357 pontos. O resultado marca o pior desempenho diário do principal índice da bolsa brasileira desde 16 de março de 2020 (queda de 13,92%), no auge do avanço da pandemia de Covid-19.
A intensidade das ordens de venda logo nos primeiros minutos de negócios levou a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker, paralisação temporária das negociações para conter o pânico e amortecer a volatilidade. Foi a primeira vez que a medida precisou ser utilizada no mercado brasileiro desde março de 2020. Com a forte baixa, o Ibovespa anulou todos os ganhos acumulados após o primeiro turno e retornou a patamares inferiores aos registrados no início de outubro.
No câmbio, a moeda norte-americana bateu na máxima de R$ 5,605 durante o pregão, após ter encerrado a última sexta-feira (23) cotada a R$ 4,993. Na mínima do dia, o dólar registrou R$ 5,392.
Disparada dos juros futuros e curva de juros
A piora das expectativas em relação à condução da política fiscal no novo mandato refletiu-se em uma disparada nas taxas dos contratos de juros futuros (DIs). O contrato para janeiro de 2033 saltou para 15,240% ao ano no encerramento da tarde, frente aos 12,650% registrados no fechamento anterior — um avanço expressivo de 2,59 pontos percentuais.
O salto na curva de juros atingiu em cheio os setores altamente endividados e dependentes do crédito e do consumo interno, como o varejo e a construção civil.
Destaques de baixa e alta na B3
O setor varejista e de saúde lideraram os prejuízos do Ibovespa:
O setor bancário e as estatais também acompanharam a retração generalizada. As ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) caíram 13,66%, enquanto os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 8,18%.
Por outro lado, empresas exportadoras e geradoras de receita em moeda estrangeira se beneficiaram do salto do dólar e fecharam em campo positivo:
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Suzano (SUZB3): +10,08%
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Embraer (EMBJ3): +8,89%
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WEG (WEGE3): +4,21%
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Vale (VALE3): +4,01%
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Klabin (KLBN11): +3,24%
Cenário internacional
Em contraste direto com o pregão brasileiro, as bolsas de valores nos Estados Unidos fecharam o dia em alta. O índice Dow Jones subiu 0,29% (52.364,02 pontos), o S&P 500 avançou 0,70% (7.676,85 pontos) e o índice de tecnologia Nasdaq subiu 0,83% (26.169,38 pontos).
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