O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) apresentou um pedido de impeachment por crimes de responsabilidade contra os ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O pedido foi protocolado na terça-feira (29) no Congresso, dois dias depois que o deputado apresentou uma petição dirigida ao ministro Flávio Dino, onde solicitava que Nunes Marques e André Mendonça fossem exonerados da comissão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que avalia a propaganda eleitoral nas eleições deste ano.
Paulinho é um dos parlamentares mais próximos dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Sua posse na Cãmara aconteceu pouco mais de três semanas depois que o titular da vaga à época, Marcelo Lima (PSB-SP), teve o mandato cassado, através de uma decisão liderada por Moraes no TSE.
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O deputado do Solidariedade também foi o principal articulador entre a Suprema Corte e o Congresso no projeto de anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro.
Atitudes e investigações recentes motivaram o pedido de impeachment de Nunes Marques, Mendonça e Fux
Um dos argumentos que Paulinho usa no pedido de impeachment contra os ministros é que Mendonça age para favorecer a oposição, repetindo as acusações que Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino têm feito ao colega de Corte.
Documento apresentado por Paulinho pede abertura de apuração por crime de responsabilidade na representação por impeachment de Nunes Marques, Mendonça e Fux.Foto: Rosinei Coutinho/STF/Reprodução/ND Mais“Nos últimos dias, vem sendo amplamente noticiado que o Exmo. Senhor Ministro André Mendonça, no exercício da função jurisdicional na mais elevada Corte do sistema de Justiça brasileiro, tem atuado de forma parcial e com direcionamento político-eleitoral, tendo como guia não a Constituição Federal, e sim a criação de eventos processuais que possam favorecer o grupo político com quem ele tem ligação”, destaca o documento.
Nas últimas semanas, Mendonça foi alvo de uma série de notícias que o atingiram e a seu entorno. Entre elas, reportagens relacionadas aos contratos do instituto Iter, do qual o ministro fazia parte, e operações da PF (Polícia Federal) contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado de Mendonça.
No pedido de impeachment de Nunes Marques, Mendonça e Fux, Paulinho menciona ainda que o ministro ignorou as informações contra Kassio Nunes Marques envolvendo o Caso Master, como o contrato de R$ 427 milhões atribuído à “Turma do KN”.
“Embora os fatos sejam muito graves e evidentes, o Ministro André Mendonça nada fez, adotando padrão decisório completamente diferente do que direcionou contra seu desafeto, Ministro Alexandre de Moraes. Nem mesmo a existência de contrato de R$ 427 milhões da ‘Turma do KN’ com o Banco Master ensejou quaisquer providências judiciais”, alega Paulinho.
Investigadores da PF apontam que “KN” seria Kassio Nunes Marques.Foto: Alejandro Zambrana/Reprodução/ND MaisJá em relação a Luiz Fux, o deputado citou mensagens trocadas entre o filho do ministro, Rodrigo Fux, e aliados de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
De acordo com informações obtidas pelo UOL, as mensagens mostram que Vorcaro e Rodrigo Fux conversaram durante mais de um ano. Em determinado momento, o ex-banqueiro pediu “ajuda num caso”, mas o conteúdo divulgado não permite saber qual assunto estava sendo tratado.
Pedido de impeachment de Nunes Marques, Mendonça e Fux foi encaminhado para análise no Congresso Nacional.Foto: Gustavo Moreno/STF/Divulgação/ND MaisNo final do pedido de impeachment, Paulinho pede que os três magistrados da Suprema Corte sejam investigados por crime de responsabilidade.
“Os fartos indícios divulgados na imprensa convivem com o silêncio dos Ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Junto com o silêncio deles convivem alguns milhões de reais para o Instituto Iter, a intimidade de Vorcaro com Rodrigo Fux e quase meio bilhão de reais para a ‘Turma do KN’, tudo formalizado em mensagens e contratos, e nada submetido à mínima investigação. Enquanto isso, por direcionamento político e ideológico, o Ministro Alexandre de Moraes era investigado à revelia do devido processo legal na véspera das Eleições de 2026. Cabe ao Senado Federal compreender esse paradoxo!”, concluiu o deputado.
Com informações da CNN Brasil