Nesta quinta-feira (30), o presidente da Argentina, Javier Milei, apresentou um pacote de reformas econômicas e institucionais focado no fortalecimento da disciplina monetária e no combate ao déficit na Argentina, iniciativa que prevê suspender atividades não essenciais do Estado em caso de déficit prolongado.
Através de pronunciamento transmitido em rede nacional, o mandatário detalhou o projeto que busca reorganizar o BCRA (Banco Central da República Argentina) e estabelecer o bloqueio de financiamento monetário do Estado e das províncias.
“A missão fundamental do Banco Central volta a ser a de preservar o valor da moeda”, destacou o mandatário argentino.
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Confira o pronunciamento do mandatário argentino
Pronunciamento de Milei destaca mudanças no Banco Central e novas regras de disciplina monetária.Vídeo: Divulgação/Redes sociais/Reprodução/ND Mais
A proposta enviada ao Congresso restabelece como missão central da autoridade monetária a preservação do valor da moeda e cria blindagens jurídicas para dificultar a remoção de diretores da instituição, visando “blindar o presidente do BCRA e a diretoria dos abusos da política”.
Durante o pronunciamento, Milei também criticou os governos anteriores e afirmou que “o Banco Central tem sido uma ferramenta que permitiu o roubo da alta política”.
Além das mudanças no BCRA, o plano inclui um mecanismo de shutdown (fechamento temporário do governo), em caso de déficit na Argentina por período prolongado.
Durante este regime, “as atividades não essenciais do Estado serão paralisadas, os novos gastos serão congelados e nenhum contrato será concedido”.
De acordo com o mandatário, nem os legisladores nem o alto escalão do Executivo “receberão um único peso de salário”.
Reações sindicais e apoio do FMI às medidas do projeto de Milei sobre déficit na Argentina
As medidas anunciadas provocaram reação imediata da ATE (Associação de Trabalhadores do Estado), o principal sindicato de trabalhadores da Argentina.
O líder sindical, Rodolfo Aguiar, criticou a proposta de paralisação temporária, afirmando que os cortes já estão acontecendo devido às políticas do governo.
Publicação de Rodolfo Aguiar através da rede social X. O texto foi traduzido para português.Foto: Reprodução/ND MaisO pacote do governo inclui ainda propostas de liberalização do mercado de capitais e reformulação do setor de seguros.
No âmbito financeiro internacional, o ministro da Economia, Luis Caputo, informou que o plano foi apresentado por Milei à diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, e que ela saiu dessa reunião “muito satisfeita”.
O FMI avalia as reformas como fundamentais para a recuperação da credibilidade financeira e o retorno do país ao mercado de crédito.
Todas as iniciativas terão que ser aprovadas pelo Congresso antes de entrar em vigor, porém Milei não informou quando elas serão submetidas ao Legislativo.
Com informações de tev/cjc/lb