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CVM multa Vorcaro em R$ 20 milhões por fraude em fundo imobiliário

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou, nesta terça-feira (8), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao pagamento de uma multa de R$ 20 milhões em um processo que apurou fraudes na gestão do fundo imobiliário Brazil Realty. A decisão, aprovada por unanimidade pelos quatro diretores da autarquia, marca a primeira condenação do ex-controlador do Banco Master no âmbito do caso.

Além de Vorcaro, outras sete pessoas e nove empresas também foram condenadas. Somadas, as penalidades chegam a R$ 201 milhões. O Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central, recebeu uma multa de R$ 12,5 milhões. A parceira Entre Investimentos e seu proprietário, Antônio Freixo Junior, foram multados em R$ 10 milhões e R$ 5 milhões, respectivamente. O pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro, e seu primo Felipe Vorcaro também foram condenados a pagar R$ 20 milhões e R$ 5 milhões.

Esquema de sobreavaliação e liquidez artificial

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De acordo com a acusação da CVM, o esquema fraudulento consistia em inflar o valor de imóveis e ativos do fundo por meio de laudos falsificados ou inconsistentes, além de simular a liquidez das cotas no mercado secundário para atrair investidores. As investigações miraram a terceira emissão de cotas do fundo, que integralizou R$ 139,1 milhões — em grande parte compostas por ativos físicos com valores superestimados.

Entre os exemplos citados no processo, a empresa Talent Construções subscreveu R$ 28,6 milhões entregando ações da Brasil Realty Empreendimentos, cujo único imóvel localizado em Nova Lima (MG) teve o valor majorado de R$ 7,1 milhões para R$ 70,8 milhões. A Espaço Engenharia e Construção integralizou R$ 10,3 milhões com a entrega de 50 lotes no Balneário Água Limpa, também em Nova Lima, avaliados em R$ 207,5 milhões — embora a investigação da CVM tenha apontado o valor real de R$ 6,5 milhões.

Outra operação envolveu a Milo Investimentos, que subscreveu R$ 70 milhões em cotas de uma sociedade que possuía um imóvel em Contagem (MG), identificando-se uma sobreavaliação de R$ 56 milhões no ativo. Empresas ligadas a Vorcaro, como a Entre Investimentos e a Viking Participações, realizavam compras de cotas do fundo para simular demanda e criar liquidez artificial, atraindo investidores externos. Após a valorização forçada, os idealizadores do esquema se desfizeram de suas posições, deixando terceiros com um prejuízo estimado em R$ 5,8 milhões.

Defesa e recursos

Durante o julgamento, a defesa de Daniel Vorcaro questionou a solidez das provas apresentadas, argumentando que não havia elementos concretos e individualizados que comprovassem dolo ou conduta ilícita por parte do ex-banqueiro. Os condenados ainda podem apresentar recurso ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN). O processo teve início em 2020 e levou seis anos até o julgamento final na autarquia, o que motivou pedidos de prescrição por parte de algumas defesas.

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Contexto das investigações

Daniel Vorcaro foi alvo de prisão pela Polícia Federal em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, data em que o Banco Master sofreu intervenção e foi liquidado pelo Banco Central. Após cumprir medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica, ele voltou a ser preso em março de 2026 sob suspeita de envolvimento com esquemas de coação e ameaça a desafetos.

A quebra e liquidação das instituições ligadas ao conglomerado geraram impactos bilionários ao sistema financeiro, acumulando perdas de mais de R$ 57 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por honrar aplicações de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

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