O que puxou o rombo
As despesas gerais e administrativas, além das despesas financeiras, foram os principais fatores que impulsionaram o resultado negativo no primeiro trimestre. Foram gastos R$ 2,26 bilhões em despesas que incluem, por exemplo, custos com pessoal e contratação de serviços advocatícios.
Outro fator de forte pressão foi o aumento das contingências, já que a estatal está envolvida em processos judiciais de natureza trabalhista, cível e fiscal. No primeiro trimestre de 2025, as despesas gerais e administrativas somaram R$ 1,22 bilhão.
Despesas financeiras disparam
As despesas financeiras passaram de R$ 282,9 milhões para R$ 985 milhões no mesmo período de comparação. O aumento foi impulsionado principalmente pelos encargos do financiamento da dívida interna, como juros e IOF.
Também houve o reconhecimento de juros e multas sobre tributos incidentes em operações de importação referentes a 2025 e ao primeiro trimestre de 2026.
O aporte bilionário
Para garantir liquidez no curto prazo, os Correios anunciaram, em novembro do ano passado, uma operação de crédito que poderia chegar a R$ 20 bilhões.
O Tesouro Nacional aprovou um empréstimo de até R$ 12 bilhões para a estatal. Além disso, uma capitalização adicional de até R$ 8 bilhões continua em negociação.
O alerta do TCU
Na semana passada, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu comunicar ao governo federal uma possível violação de dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) devido à ausência de uma verificação “própria e independente” das premissas financeiras que embasaram o plano de reestruturação dos Correios.
O TCU também apontou insuficiência na análise da capacidade de pagamento da estatal para a concessão da garantia da União na operação de crédito de R$ 12 bilhões. Segundo a Corte de Contas, a situação pode contrariar regras previstas no Decreto nº 11.907/2024, que trata da capacidade de pagamento de empresas estatais em operações de crédito.
Além disso, o tribunal alertou para o aumento da exposição financeira da União diante da falta de uma avaliação externa das premissas de receitas, despesas e fluxo de caixa que sustentam os planos de equilíbrio econômico-financeiro da empresa.
