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Copa do Mundo 2026 começa com show de Shakira e polêmica nos EUA – Gazeta Brasil

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A Copa do Mundo de 2026 começou oficialmente nesta quinta-feira (11) com uma histórica e imponente cerimônia de inauguração no lendário Estádio Azteca, na Cidade do México. O evento serviu de abre-alas para a partida de estreia entre México e África do Sul. Pela primeira vez o torneio terá sede tripla e contará com três cerimônias de abertura descentralizadas. A festa mexicana abriu o ciclo; nesta sexta-feira (12), o Canadá fará sua celebração no Estádio Toronto (BMO Field), enquanto os Estados Unidos realizarão a sua no SoFi Stadium, em Los Angeles.

No palco central do Azteca, a estrela colombiana Shakira coroou seu título de “Rainha das Copas” ao comandar um espetáculo eletrizante de cerca de 20 minutos. Vestida com trajes vibrantes e acompanhada por dançarinos e uma banda tradicional de mariachis, ela fez o estádio lotado delirar.

Ao lado do astro nigeriano Burna Boy, Shakira interpretou “Dai Dai”, o hino oficial do Mundial de 2026. Esta é a quarta vez que a artista põe voz no torneio, após marcar época na Alemanha (2006) com uma versão de Hips Don’t Lie, na África do Sul (2010) com o estrondoso Waka Waka, e no Brasil (2014) com La La La.

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A cerimônia, iniciada com um discurso da apresentadora Lila Downs ressaltando que o futebol “une várias gerações”, contou com uma réplica gigante e dourada da Taça do Mundo emergindo do centro do gramado. O show também reuniu grandes nomes da música latina e global que fazem parte do primeiro álbum oficial da FIFA para uma Copa, incluindo Maná, Danny Ocean (com a faixa Partidazo), J Balvin (que se apresentou ao lado de Ryan Castro), Los Ángeles Azules, Belinda (na canção Por ella), Alejandro Fernández e Tyla. A festa foi encerrada com uma imponente queima de fogos de artifício no teto do estádio.

Fúria nos EUA: Emissora oficial “boicota” show de Shakira

Apesar do sucesso global da apresentação, os telespectadores nos Estados Unidos ficaram furiosos. A Fox, emissora detentora dos direitos oficiais de transmissão em inglês no país, tomou a polêmica decisão de não exibir a cerimônia de abertura ao vivo.

Enquanto Shakira brilhava no palco, os americanos sintonizados na rede foram forçados a assistir a análises de estúdio feitas pelos ex-jogadores Thierry Henry, Zlatan Ibrahimovic e Alexi Lalas. Embora os motivos do corte não tenham sido esclarecidos pela emissora, os fãs tiveram que recorrer à transmissão em espanhol da rede Telemundo, que exibiu o show na íntegra.

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O calendário das próximas aberturas: Anitta entra em cena

A festa continua nesta sexta-feira nas outras duas nações anfitriãs antes de suas respectivas estreias no torneio:

  • Canadá: A cerimônia começará às 14h30 (horário de Brasília / hora de Argentina) no BMO Field, em Toronto, que teve sua capacidade ampliada de 28 mil para 45 mil assentos. O evento celebrará os maiores talentos locais, com shows de Alanis Morissette, Alessia Cara, Jessie Reyez e Michael Bublé, antecedendo o jogo contra a Bósnia e Herzegovina.

  • Estados Unidos: A festa em Los Angeles começará às 20h30 (horário de Brasília) no SoFi Stadium. A celebração pré-jogo contará com um line-up pop de peso, liderado pela brasileira Anitta, além de Katy Perry, Future, LISA, Rema e Tyla. Logo após, os EUA enfrentam o Paraguai em sua primeira Copa em casa desde 1994.

Caos nos bastidores: A Copa mais politizada da história

Apesar do clima de festa, o início do maior Mundial da história (em número de sedes e seleções) foi severamente abalado por graves controvérsias políticas, de segurança, logística e imigração.

Na própria Cidade do México, o orgulho de se tornar o primeiro país a sediar partidas de três Copas do Mundo diferentes (após 1970 e 1986) divide espaço com uma forte tensão social. Grandes protestos tomaram a capital. A manifestação mais visível é liderada pela Coordinadora Nacional de Trabalhadores de la Educación (sindicato dos professores), que protesta contra reformas trabalhistas, pensões e baixos salários. Paralelamente, grupos de direitos humanos e organizações ecológicas, como o Greenpeace, protestam contra o impacto ambiental de um torneio que abrange 16 cidades e três países, enquanto parte da população critica os gastos bilionários em meio a crises econômicas internas não resolvidas.

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O fator Trump e o veto a árbitros e seleções

O cenário mais crítico, contudo, envolve o governo dos Estados Unidos e as rígidas políticas de vistos da administração de Donald Trump, que geraram indignação internacional. Jornalistas, torcedores e até autoridades esportivas relataram sérios problemas para entrar em solo americano.

O caso de maior repercussão foi o do árbitro somali Omar Artan, considerado um dos principais juízes do futebol africano. Mesmo selecionado pela FIFA para apitar o torneio, Artan foi barrado pelas autoridades americanas ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Miami e acabou cortado da Copa. Um funcionário do governo Trump alegou que o veto ocorreu devido a uma suposta “associação com membros de organizações terroristas” — a Somália integra a lista de países com restrição de viagem adotada por Trump. Recentemente, o presidente americano chegou a chamar os imigrantes somalis de “trapaceiros” e rotulou a nação africana como “o pior país do mundo”.

Essas restrições geopolíticas atingiram diretamente seleções classificadas. Países como Haiti e Irã sofrem restrições totais de entrada nos EUA, enquanto Costa do Marfim e Senegal enfrentam sanções parciais.

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Por conta disso, a Federação Iraniana de Futebol denunciou que sua cota de ingressos para os torcedores foi revogada e que parte de seus dirigentes teve o visto negado. Além disso, a seleção do Irã foi obrigada a adotar um regime de “bate-volta”, cruzando a fronteira americana apenas nos dias de jogos. Em resposta a esse ambiente hostil, a delegação iraniana mudou sua base de treinamento do Arizona (EUA) para o México às vésperas do torneio, prejudicando sua preparação esportiva. O fotógrafo oficial da seleção do Iraque, Talal Salah, também teve sua entrada negada na América.

“Relaxem e relaxem”: O polêmico recado do presidente da FIFA

Pressionado duramente pela imprensa internacional em uma coletiva na última quarta-feira sobre os preços abusivos dos ingressos, restrições de viagens e a exclusão de profissionais, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, adotou uma postura defensiva e controversa. Ele eximiu a entidade e repassou o peso das decisões de imigração para as forças policiais e governos.

“Nós não moramos na Lua, moramos no planeta Terra. Temos que respeitar que não somos os reis do mundo, que podem governar governos e forças policiais. Somos uma organização esportiva que faz o máximo que pode”, justificou o mandatário.

Ao defender o valor dos ingressos e alegar que “ninguém além da FIFA” teria conseguido garantir a participação do Irã no torneio diante do conflito direto com os EUA, Infantino ironizou as críticas e disparou um recado aos jornalistas: “É importante às vezes esfriar a cabeça (chill) e relaxar. Às vezes, gritar e berrar não encontra uma solução”.

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