Elon Musk afirmou na quinta-feira que sua startup de inteligência artificial, a xAI, utilizou tecnologia da OpenAI para treinar seus próprios modelos de IA — um processo conhecido como “destilação”. A declaração foi feita durante um interrogatório em seu processo judicial, no qual acusa a empresa rival de abandonar a promessa de operar como organização sem fins lucrativos ao adotar um modelo voltado ao lucro.
Um advogado da OpenAI perguntou a Musk se a xAI já havia “destilado” tecnologia da empresa, ao que ele respondeu: “De modo geral, empresas de IA destilam outras empresas de IA”, segundo o The New York Times.
A destilação consiste em usar os resultados gerados por um modelo maior de IA para treinar um modelo menor. Musk afirmou que a xAI utilizou “em parte” tecnologia da OpenAI para treinar seus próprios sistemas.
Os termos de serviço da OpenAI proíbem que seus outputs sejam usados para treinar modelos concorrentes de inteligência artificial.
O que é destilação de IA?
A destilação utiliza um modelo de inteligência artificial para ensinar outro menor, permitindo que esse modelo opere com mais eficiência e menor uso de poder computacional. O método possibilita treinar sistemas menores sem os altos custos normalmente associados à criação de um modelo do zero.
Por que a destilação é controversa?
No centro da controvérsia está o fato de que uma empresa pode usar dados de IA de outra para treinar seus próprios modelos, sem arcar com os elevados custos de pesquisa e desenvolvimento. O treinamento de modelos como o ChatGPT e o Gemini, do Google, pode ultrapassar US$ 100 milhões (R$ 500 milhões), e os custos devem aumentar com o avanço de modelos mais sofisticados.
A DeepSeek, startup chinesa de IA acusada de destilar tecnologia da OpenAI e da Anthropic, afirmou ter gasto apenas US$ 294.000 (R$ 1.470.000) para treinar seu modelo R1. A Anthropic também declarou que a destilação representa um risco à segurança nacional, ao afirmar que modelos destilados podem não incluir salvaguardas, como aquelas criadas para impedir a fabricação de armas biológicas ou a realização de ataques cibernéticos.
Contexto
A OpenAI baniu contas no início deste ano após suspeitas de destilação, ao acusar a DeepSeek de utilizar sua tecnologia para treinar um modelo de código aberto que alegava ser mais barato e tão eficiente quanto — ou até mais — que os sistemas das principais empresas de IA.
A Anthropic também acusou a DeepSeek e outras empresas chinesas, como a Moonshot AI e a MiniMax, de conduzirem “campanhas em escala industrial” para usar as capacidades de seu modelo, o Claude, e aprimorar seus próprios sistemas. A empresa afirmou que seus termos de uso foram violados, apontando cerca de 16 milhões de interações realizadas pelas três companhias com o Claude por meio de aproximadamente 24.000 contas fraudulentas.
Quando a Anthropic fez as acusações de destilação, Musk reagiu em uma publicação ao destacar um acordo de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,5 bilhões) fechado pela empresa no ano passado para encerrar um processo que a acusava de utilizar livros pirateados no treinamento de seus modelos de IA.
*Matéria originalmente publicada na Forbes.com