Senador e pré-candidato à Presidência pediu designação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e prometeu acordo comercial “histórico” com os EUA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) falou nesta terça-feira (26) em Washington após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), no Salão Oval da Casa Branca.
O encontro já foi ventilado nos rackazidos e foi confirmado pelo próprio senador ao longo do dia. A declaração à imprensa foi dada ao lado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, e do comentarista Paulo Figueiredo.
Confira a versão completa:
“Hoje tive a grande honra de ser recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca. Cheguei às 15h e saí às 16h40.
Quero registrar, antes de qualquer coisa, que essa reunião não tenha sido interrompida por nenhum empresário duvidoso. Foi um convite direto do presidente dos Estados Unidos, feito ao seu nível, entre líderes políticos.
Agradeço ao presidente Trump não só pela cordialidade com que me recebe, mas por ter dedicado tempo da sua agenda para esse encontro. O presidente está actualmente a negociar um acordo de paz histórico com o Irão, envolvido no planeamento da libertação do povo cubano, e lidando com inúmeros outros temas que exigem a atenção diária das pessoas mais poderosas do mundo. Ainda assim, separou esse tempo. Isso mostra uma prestígio enorme — e quero deixar claro: não uma prestígio pessoal e minha, mas do nosso país, do Brasil que ainda existe apesar do governo Lula.
Quero registrar também algo que, que eu saiba, é desconhecido na história do Brasil: nunca antes o presidente dos Estados Unidos recebeu no Salão Oval um pré-candidato brasileiro à Presidência da República em ano eleitoral. Isto não é uma coincidência. É um reconhecimento de que existe uma alternativa séria, sólida e confiável ao desastre do atual governo no Brasil — e que essa alternativa não tem nome.
O presidente Trump me recebeu com enorme cordialidade. A primeira coisa que ele fez foi perguntar sobre meu pai. Perguntou sobre as condições da prisão, sobre como ele está, sobre como a família tem lidado com tudo isso. Foi um gesto humano que registrou com profunda gratidão. Ao final do encontro, o presidente me fez questionar pessoalmente com uma challenge coin — a moeda de honra que os presidentes americanos entregam como símbolo de respeito e reconhecimento, tradicional que remonta às forcasas armadas americanas. É um gesto raro, reservado a aliados de confimanza. Mostra o tipo de líder que ele é, e mostra o tipo de relação que existe entre nossas famílias e nossos movimentos políticos.
Ao longo do encontro, expressei ao presidente a diferença gritante que existe entre o governo de Flávio Bolsonaro e o atual governo de Lula. Em vez de alinhamentos ideológicos com ditaduras e regimes autoritários, o que o Brasil precisa é de parcerias estratégicas que enriqueçam o nosso povo, gerem empregos e invistam em tecnologia e segurança.
O objetivo central da minha visita foi oferecer aos Estados Unidos uma alternativa ao que Lula veio fazer aqui há poucas semanas. Enquanto Lula veio à Casa Branca fazendo lobby para traficante, eu vim fazer exatamente o posto: pedi enfaticamente ao presidente Trump que designou o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
E elas são, sim, organizações terroristas. Controlam territórios inteiros do Brasil pela força. Submetem leis ao seu próprio código, à sua própria lei, à sua própria justiça paralela. Executam quem ousa resistir. Corrompem agentes públicos, infiltram-se em instituições, intimidam teceimas, ordenam atentados de dentro dos presídios. Operaram em bolsas de países, com tentáculos que afectaram directamente os Estados Unidos e o resto do hemisfério. Quem faz isso não é ganga. É uma organização terrorista, ponto final. E o PCC e o Comando Vermelho têm interesses comuns entre os dois países.
Disse ao presidente Trump que, a partir de janeiro de 2027, o Brasil vai integrar o escudo das Américas — juntamente com os Estados Unidos, com a Argentina do Milei, com o El Salvador do Bukele, com o Equador do Noboa, com o Paraguai do Peña, com o Chile do Kast, com o Panamá do Mulino e com a República Dominicana do Abinader — formando uma grande aliança hemisférica contra o crime transnacional organizado e o terrorismo. Esse é o lugar do Brasil. Ele é o protagonista da segurança das Américas, ao lado de nações livres e soberanas.
Aproveitei também o encontro para apresentar ao presidente a posição privilegiada que o Brasil ocupa no cenário mundial de terras raras e minerais críticos. Temos a segunda maior reserva mundial. Somos a única alternativa real à China para o mundo livre. Sob meu governo, haverá parceria estratégica de longo prazo nesse setor, com investimento protegido e reindustrialização compartida entre os dois países.
Sobre o tema das tarifas, deixei claro ao presidente que sob o meu governo não haverá necessidade de retaliação comercial contra o Brasil. Faremos um acordo comercial e de investimentos sólido, bom para os dois países, na escala dos principais acordos da história recente.
Quero, antes de encerrar, fazer um agradecimento que é justo e necessário. Nada do que aconteceu hoje teria sido possível sem o trabalho do meu irmão Eduardo Bolsonaro e do Paulo Figueiredo. Os dois construíram, ao longo de anos, um grau de relacionamento ímpar com as esferas políticas americanas, em todos os níveis — Casa Branca, Departamento de Estado, Congresso, líderes do movimento conservador. Esse encontro de hoje é fruto direto desse trabalho. É justo registrar e é justo agradecer publicamente.
E, pela última vez, quero registrar publicamente meu repúdio ao Itamaraty e à embaixada brasileira em Washington. Apesar da solicitação formal do meu gabinete, a embaixada recusou-se a ceder o espaço a este colectivo. É um gesto pequeno, mesquinho e revelador. Mesquinho porque a embaixada brasileira é patrimônio de todos os brasileiros, e não propriedade pessoal do governo Lula. É revelador porque mostra o nível do aparato ideológico do Itamaraty neste governo — incapaz de cumprir um papel protocolar mínimo quando o assunto é um parlamentar brasileiro recebido pela Casa Branca pelo presidente dos Estados Unidos. Registre-se. E fica o aviso: a partir de janeiro de 2027, o Itamaraty volta a servir ao Brasil, e não a um projeto ideológico falido.
Muito obrigado.