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Conab: tabelamento de fretes da ANTT causa distorções; pressão deve crescer

Foto: Gervásio Baptista/Agência Brasil

O tabelamento de fretes rodoviários implementado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem provocado distorções no mercado logístico agrícola e tende a ampliar a pressão sobre o escoamento de grãos no início de 2026, segundo avaliação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em seu Boletim Logístico de dezembro.

A medida passa a valer em um momento sensível do calendário agrícola, marcado por grandes estoques de milho, início da colheita da soja e necessidade de liberar capacidade dos armazéns.

De acordo com a Conab, o mercado de fretes apresentou comportamento relativamente estável em novembro, com variações moderadas nas principais regiões produtoras. Em Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, a estatal observa que o tabelamento tem interferido na formação dos preços em período de entressafra, reduzindo a fluidez logística e afetando a alocação de caminhões.

“O tabelamento cria, na conjuntura vigente, maiores incentivos para determinadas rotas”, avalia o boletim, ao destacar a concentração do fluxo em trajetos mais curtos, como os que têm Rondonópolis (MT) como destino.

Esse rearranjo ocorre em um momento em que ainda há volume expressivo de milho a ser escoado no estado. A Conab alerta que grande parte desse produto deverá ser movimentada em janeiro e fevereiro, período em que a colheita da soja tende a se intensificar.

Segundo a estatal, a combinação entre grandes estoques remanescentes e o avanço da nova safra “agrava os gargalos logísticos” e eleva o risco de pressão adicional sobre os fretes no início de 2026.

A situação se repete em outros estados do Centro-Oeste. Em Goiás, apesar da queda pontual dos fretes ao longo de novembro, a Conab aponta que o atraso e a posterior concentração da colheita da soja devem comprimir a janela logística. “Essa dinâmica tende a forçar uma maior concentração da demanda por transporte em um curto espaço de tempo”, observa o relatório, indicando aumento da pressão sobre custos e disponibilidade de caminhões.

Apesar das distorções apontadas, a Conab avalia que não há risco de paralisações no setor. “Mesmo com o descontentamento de parcela dos transportadores, o setor como um todo entende que não haverá manifestações ou paralisações, uma vez que o tabelamento sempre foi uma demanda do setor”, informou a estatal, ressalvando deficiências no funcionamento prático da medida.

Segundo a companhia, o ambiente favorável ao escoamento, com demanda firme tanto do mercado interno quanto externo, tem contribuído para a continuidade das operações, em um contexto internacional ainda marcado por tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

No Distrito Federal, o boletim registra retração nos fretes no fim de 2025, mas projeta retomada gradual da demanda nos próximos meses. A expectativa da Conab é de que o avanço da safra 2025/26 gere um novo ciclo de contratação de transporte à medida que a produção seja colhida e destinada ao mercado interno e às exportações ao longo de 2026.

No Matopiba (que abrange áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia), o comportamento foi heterogêneo. Na Bahia, os fretes permaneceram sustentados em rotas com destino aos portos, apoiados pelo fluxo de retorno associado à importação de fertilizantes. Já no Maranhão e no Piauí, a entressafra reduziu significativamente a oferta de cargas de soja e milho, pressionando as cotações para baixo em novembro, em linha com a menor movimentação logística observada no período.

No Sul, o Paraná apresentou demanda mais moderada por transporte, reflexo do elevado nível de comercialização da safra anterior, o que reduziu a necessidade imediata de escoamento. Ainda assim, a Conab avalia que o cenário logístico pode se alterar com o avanço do novo ciclo produtivo. Para a estatal, o pano de fundo ainda é a safra volumosa.

A primeira estimativa da Conab para 2025/26 aponta produção total de 354,4 milhões de toneladas de grãos. A soja deve atingir 177,1 milhões de toneladas, enquanto o milho somará 138,9 milhões de toneladas nas três safras.

Diante desse volume, da proximidade da colheita da soja e das distorções associadas ao tabelamento, a companhia avalia que “as cotações dos fretes rodoviários devem permanecer em nível relativamente elevado” no início de 2026, com pressão concentrada nos meses de janeiro e fevereiro.

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