O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) enfrenta dificuldades para definir os nomes que disputarão as duas vagas ao Senado na chapa apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.
O impasse envolve três possíveis candidatos: Marina Silva (Rede), Simone Tebet (MDB) e Márcio França (PSB). “Nós somos quatro ex-ministros do atual governo do presidente Lula. Viemos os quatro para cá. Simone tem uma vida aqui em São Paulo. Márcio foi governador do Estado. A Marina é um fenômeno internacional”, afirmou.
Segundo o ex-ministro da Fazenda, os três nomes têm trajetórias políticas consolidadas e mantêm boa relação com ele, o que torna a escolha delicada. “É muito desconfortável para mim ter que escolher entre três pessoas com as quais eu me dou inteiramente bem. Todos honrados. Então tem esse paradoxo”, declarou em entrevista ao UOL na segunda-feira (1º).
O petista também avaliou que não seria politicamente desejável que os três disputassem simultaneamente uma vaga no Senado. Na avaliação dele, uma divisão dos votos do campo governista poderia favorecer candidatos da oposição.
Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Márcio França (PSB)Foto: Felipe Werneck/MMA, Gabriela Pires/MPO e Albino Oliveira/MPO/Divulgação/ND MaisDefinição da chapa de Haddad em São Paulo foi adiada
A declaração ocorreu após Haddad ter afirmado, em maio, que pretendia concluir a montagem da chapa majoritária até o fim daquele mês. Na ocasião, o petista também elogiou os nomes cotados para as vagas.
“São pessoas muito respeitáveis que estão somando comigo. Gente de altíssima respeitabilidade, com uma longa trajetória política de excelência, pessoas de reputação ilibada. É uma questão tanto do ponto de vista técnico quanto do ponto de vista ético e político”, disse.
O ex-ministro da Fazenda também afirmou, em maio, que pretende ampliar a presença feminina na chapa para as eleições. “Uma coisa importante é que nossa chapa vai ter, com certeza, mais mulheres representadas”, prometeu.
Haddad sondou a empresária Teca Vendramini, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, para ocupar a vaga de vice, mas ela recusou o convite. Segundo o pré-candidato, apesar de não querer disputar eleições, a empresária seguirá colaborando com a elaboração do plano de governo.
Lula e Alckmin entraram nas negociações
Diante do impasse envolvendo a chapa de Haddad em São Paulo, o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin passaram a participar diretamente das articulações. As conversas envolvem tanto a escolha do vice quanto a disputa pela segunda vaga ao Senado.
Lula e Alckimin entraram nas negociações para resolver impasse na chapa de Haddad em São Paulo Foto: Ricardo Stuckert/PR/ND MaisNos últimos dias, o nome de Márcio França ganhou força para a vaga de vice, principalmente após reuniões envolvendo o presidente Lula. O ex-ministro do Empreendedorismo, no entanto, sinalizou a preferência pela disputa ao Senado.
“Eu gostaria de disputar o Senado. Acho que tenho um eleitorado mais ao centro, e pode ser mais útil na eleição do presidente da República, que passou à frente do adversário aqui em São Paulo”, afirmou França na segunda-feira (1º).