Antes parar o carro fazia parte obrigatória do trajeto seja no pedágio da estrada ou na cancela do shopping. Hoje isso está mudando. Os meios de pagamento digitais estãoevoluindo rapidamente e tudo está ficando mais simples, automático e integrado. Então, se você ainda anda com dinheiro no bolso para pagar pedágio, talvez esteja na minoria.
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Tags veiculares, leitura de placas e até pagamentos via apps já fazem parte dessa nova realidade, eliminando filas e reduzindo o tempo perdido tanto no trânsito urbano quanto nas rodovias. E não estamos falando só de pedágios, estacionamentos, aeroportos, condomínios e centros comerciais também entraram nessa onda, onde o carro praticamente “se identifica sozinho” para liberar a passagem.
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Pagar pedágio com dinheiro já virou exceção
Imagem: Agência Brasil
Hoje, menos de 7,5% das transações ainda são feitas em espécie no Brasil. No lugar do dinheiro vivo, entram as TAGs e também alternativas como cartões e Pix, que ficaram mais comuns principalmente após a obrigatoriedade de oferta desses meios nas concessões federais.
Em sistemas como o da Ecovias, por exemplo, mais de 80% dos pagamentos já passam pelas pistas automáticas. Para quem não usa TAG, os cartões aparecem como principal alternativa, enquanto o Pix, que praticamente não existia nas praças até pouco tempo atrás, já está presente na maioria das rodovias concedidas.
Um exemplo está no sistema Anchieta-Imigrantes, que começa a receber novos pontos de cobrança eletrônica. Além disso, projetos como a Rota Mogiana, o Lote Litoral Paulista, a Rota Sorocabana e a Nova Raposo devem adotar o modelo, somando bilhões em investimentos.
Golpes envolvendo cobranças falsas

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Mas junto com toda essa praticidade e com o avanço do Free Flow, aumentaram os golpes envolvendo cobranças falsas. Segundo dados, mais de 50 sites fraudulentos foram criados desde dezembro de 2025, muitos deles imitando plataformas oficiais e até utilizando dados dos veículos para enganar motoristas.
Pensando nisso, a recomendação da Associação Brasileira das Empresas de Pagamento Automático para Mobilidade (Abepam) é que usar TAG não é só uma questão de conveniência, mas também de segurança. Como a cobrança é feita automaticamente pelas operadoras, como ConectCar, Move Mais, Sem Parar, Taggy e Veloe o motorista não precisa acessar links ou realizar pagamentos avulsos, justamente onde os golpistas costumam agir.
Além da proteção, a TAG também traz vantagens. É o único meio que garante automaticamente benefícios como o Desconto Básico de Tarifa (DBT), de 5%, e o Desconto de Usuário Frequente (DUF), que pode chegar a até 90% em algumas praças. Sem contar o ganho de tempo, a redução no consumo de combustível e até a diminuição das emissões de CO₂.
Mas será que o Brasil já está totalmente adaptado a isso?

Imagem: Divulgação
Segundo Petrus Moreira, diretor de marketing da Move Mais, o Brasil já avançou bastante mas ainda tem caminho pela frente. “O Brasil está bem evoluído em pagamento de pedágios.
Hoje temos tag, QR Code, várias opções. Mas ainda não estamos no nível de mercados mais consolidados”, explica. Nem todo mundo sente a necessidade ainda. E faz sentido. Apesar do crescimento, muita gente ainda não aderiu principalmente por uma questão simples, nem todo mundo usa pedágio com frequência.
Hoje, cerca de metade das praças está concentrada em São Paulo. Ou seja, quem roda mais por outras regiões pode nem sentir falta de uma tag no dia a dia. “Se você não passa muito por rodovias com pedágio, dificilmente vai ver vantagem em ter uma”, resume Moreira.
Outro ponto que pesa é mensalidade. Muita gente ainda torce o nariz para isso. Por isso, modelos pré-pagos estão ganhando espaço. “O usuário recarrega e usa quando quiser, sem mensalidade. Isso reduz bastante a resistência”, destaca.
O sistema Free Flow é o pedágio do futuro (e do presente) com isso esquece cancela, cabine e fila, você simplesmente passa, e a cobrança é feita automaticamente por pórticos na estrada. Sem reduzir a velocidade.
E isso não é futuro distante, não. “As novas concessões já estão vindo nesse modelo. Em cinco anos, devemos praticamente dobrar o número de rodovias com pedágio no Brasil”, afirma.
E aqui vale pensar: quanto tempo você já perdeu parado em pedágio? Com o Free Flow, a ideia é justamente eliminar isso. A viagem fica mais rápida e menos estressante. Além disso, tem o ponto de que a cobrança passa a ser mais justa. Você paga exatamente pelo trecho que percorreu.
Sem falar no impacto ambiental como Petrus comentou à reportagem do Autoo, são menos obras gigantes nas rodovias e menos interferência no fluxo natural das estradas.
Outro incentivo forte para adesão são os descontos. Quem usa pagamento automático já tem 5% de redução na tarifa (o famoso DBT). Mas tem mais, os usuários frequentes podem chegar a descontos de até 70% em alguns trechos. Ou seja, dependendo do uso, pode fazer uma diferença bem relevante no bolso.
E quem não aderir?

Imagem: Divulgação
Com o Free Flow, não vai existir mais aquela opção de “pagar na hora”. Se você passar por um pórtico sem tag, vai precisar pagar depois, por app ou site da concessionária e tem prazo de até 30 dias.
Se esquecer, a conta chega. Multa de R$195 e cinco pontos na carteira. Ainda tem desafios no caminho. Apesar de tudo isso, a infraestrutura ainda é um ponto a ser pensado, principalmente fora dos grandes centros. Tem estrada no Brasil onde o sinal de celular simplesmente não existe. Não adianta ter tecnologia de pagamento se a conexão não acompanha.
Isso ajuda a explicar por que soluções mais avançadas, como pagamento direto por app (já comum em países como EUA e Chile), ainda não se popularizaram por aqui. O especialista diz que o cenário é promissor, mas ainda depende de um detalhe, integração.
Hoje, nem todos os sistemas “conversam” entre si. E isso pode virar dor de cabeça pro usuário. “Se não houver interoperabilidade, fica muito complicado. Ninguém quer ter vários apps ou sistemas diferentes pra pagar pedágio”, avalia Moreira.