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Com mobilização da sociedade, o STF e o TCU impulsionam avanços na transparência das emendas parlamentares

Nos últimos meses, uma série de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), seguidas de uma recente iniciativa do Tribunal de Contas da União (TCU), passou a estabelecer e consolidar mecanismos que visam aumentar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares. Este movimento tem sido acompanhado e impulsionado por demandas recorrentes da sociedade civil por maior fiscalização e integridade na gestão dos recursos públicos.

Nos últimos anos, o STF tem desempenhado um papel cada vez maior na regulação da transparência das chamadas emendas parlamentares – ferramentas utilizadas por deputados e senadores para direcionar recursos do orçamento público para suas bases políticas. Inicialmente focadas no nível federal, as decisões do Tribunal têm abordado cada vez mais um problema crescente: a replicação, em estados e municípios, de práticas marcadas por baixa transparência e responsabilização limitada.

Esse cenário começou a mudar em outubro de 2025, no âmbito da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854. Atendendo a pedido apresentado pela Transparência Internacional Brasil, Transparência Brasil e Associação Contas Abertas, o ministro Flávio Dino determinou que os estados, o Distrito Federal e os municípios adotassem regras equivalentes às federais para garantir a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares.

A decisão foi apoiada, entre outros elementos, por evidências do Índice de Transparência Pública e Governança (ITGP), que revelaram níveis extremamente baixos de transparência na execução de alterações em grande parte dos entes subnacionais. O resultado inicial desse movimento foi a adoção, por todos os tribunais de contas estaduais e tribunais de contas municipais de todo o Brasil, de regulamentos que estabelecem mecanismos de fiscalização para a utilização desses recursos públicos.

No dia 12 de maio de 2026, o STF deu mais um passo. Atendendo a um novo pedido das entidades, a Justiça determinou que as assembleias legislativas estaduais deverão, no prazo de 30 dias, demonstrar a conformidade das regras aplicáveis ​​às suas alterações ao modelo de transparência federal – estabelecendo, pela primeira vez, um prazo concreto para implementação dessas medidas.

Na mesma decisão, o STF também avançou em outras frentes de fiscalização. Instruiu a Procuradoria-Geral da República do Estado de São Paulo a esclarecer acordos entre o governo do estado e a delegação parlamentar paulista relativos à destinação de emendas federais e estaduais, e notificou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Procuradoria-Geral Eleitoral dos riscos relacionados ao uso indireto desses recursos para financiamento de campanhas eleitorais.

Ao mesmo tempo, a ADPF 854 também abriu espaço para o desenvolvimento de novos instrumentos de transparência ativa. Durante audiência de contextualização realizada em outubro de 2025, o TCU apresentou um novo dashboard para acompanhamento da execução de emendas parlamentares. Desde então, porém, esse painel não foi disponibilizado ao público. Atendendo a solicitação da Transparência Internacional Brasil, o ministro Dino perguntou ao presidente do TCU quando o painel seria divulgado.

Atendendo a essa demanda, o Tribunal de Contas da União informou, em maio de 2026, que o dashboard será disponibilizado publicamente em seu portal a partir de 1º de julho. A iniciativa representa um passo significativo na consolidação de mecanismos estruturados de monitoramento, permitindo maior visibilidade da execução orçamentária e contribuindo para a fiscalização social.

Em conjunto, as decisões do STF e as iniciativas do TCU destacam um movimento institucional mais amplo: a incorporação da transparência, da rastreabilidade e da fiscalização social como elementos centrais na gestão das emendas parlamentares. Demonstram também o papel decisivo da sociedade civil na promoção de reformas que reforcem a integridade pública.

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