Com 98% das urnas apuradas, o palhaço e ex-deputado federal não passou de 6 mil votos em sua quinta candidatura; ele mudou o domicílio eleitoral de São Paulo para o Ceará e trocou o PL pelo PSD
O humorista e ex-deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, conhecido nacionalmente como Tiririca (PSD), foi derrotado nas urnas pela primeira vez em sua trajetória política. Com 98% das urnas apuradas no Ceará, estado para onde transferiu seu domicílio eleitoral em 2025, o candidato não ultrapassou a marca de 6 mil votos em sua quinta disputa consecutivo para a Câmara dos Deputados.
A marca contrasta drasticamente com o histórico que o projetou nacionalmente em 2010. Naquela ocasião, filiado ao PR (atual PL) por São Paulo, Tiririca transformou-se no símbolo máximo do voto de protesto e foi o parlamentar mais votado do país, com 1,3 milhão de votos, impulsionado pelo famoso slogan “pior do que tá, não fica”. Reeleito em 2014 com mais de 1 milhão de sufrágios, o comediante viu seu capital eleitoral decrescer ao longo dos anos seguintes, registrando cerca de 450 mil votos em 2018 e 71.754 em 2022, já sob desgaste e com atritos internos na antiga legenda.
Trajetória e mudança de rumo
Nascido em Itapipoca (CE), em 1965, Francisco Everardo superou a infância marcada pela pobreza e pela ausência de escolaridade básica para construir carreira no circo nordestino com a tradicional persona de palhaço, além de alcançar sucesso comercial na música nos anos 1990 e na televisão. Ao ingressar na política, enfrentou questionamentos judiciais e polêmicas sobre sua alfabetização, contornadas após avaliações da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante seus mandatos na Câmara dos Deputados, destacou-se pela assiduidade nas primeiras legislaturas e pela apresentação de pautas voltadas à valorização das artes circenses. No entanto, o distanciamento da cúpula do PL e o apoio a iniciativas governamentais, como a Reforma Tributária e o arcabouço fiscal, intensificaram as rusgas com o partido. A decisão de retornar ao Ceará e se filiar ao PSD em 2025 representou uma tentativa de reiniciar a carreira política em seu estado natal, aposta que acabou rejeitada pelo eleitorado cearense nas urnas deste domingo.