Você já recebeu uma multa de uma cidade onde nunca pisou? Pois é exatamente assim que muitos motoristas descobrem que foram vítimas de clonagem de placa no Brasil. O susto chega pelo correio e junto vem a dor de cabeça.
VEJA TAMBÉM:
Só no estado de São Paulo foram mais de 2.600 pedidos de análise por suspeita de clonagem nos últimos 12 meses, média de sete casos por dia, conforme a Secretaria de Segurança Pública. E isso considerando apenas quem percebeu e foi atrás.
Especialistas alertam que o número real pode ser ainda maior, já que muita gente só descobre quando as infrações se acumulam ou na hora de vender o carro.
Receba notícias quentes sobre carros em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do AUTOO.
Esquema é simples e perverso
Imagem: Reprodução/Prefeitura de São Paulo
Criminosos copiam a placa de um veículo regular e instalam em outro, geralmente roubado ou furtado. Depois disso, o carro irregular circula livremente, passa por radares e câmeras, enquanto o dono verdadeiro começa a receber multas por infrações que jamais cometeu. Em alguns casos, as autuações aparecem em municípios completamente desconhecidos pelo proprietário.
E não estamos falando apenas de burocracia. A clonagem é peça-chave no mercado ilegal de veículos. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou mais de 370 mil roubos e furtos de veículos em 2022, cerca de mil por dia. Nesse meio, a adulteração de placas é uma forma de “dar nova identidade” a automóveis roubados, dificultando a identificação.
A própria Polícia Rodoviária Federal relata que parte dos veículos recuperados em rodovias federais apresenta indícios de clonagem ou adulteração de sinais identificadores. Em grandes centros, motocicletas com placas falsificadas também aparecem com frequência em crimes.
Placa Mercosul

Imagem: Divulgação
E aí entra outro ponto, a placa Mercosul. O modelo padrão, oficialmente chamado de Placa de Identificação Veicular, passou a ser adotado nacionalmente a partir de 2020 com a promessa de padronização entre países do bloco.
A ideia é moderna, mas críticos dizem que a retirada de itens físicos como lacres e a simplificação visual acabaram aumentando a falsificação.
Com menos elementos de segurança, quadrilhas especializadas nisso passaram a produzir placas falsas com custo mais baixo.
Mas o problema não está só na placa em si. A integração entre os sistemas estaduais de trânsito ainda enfrenta desafios. Embora haja avanços tecnológicos, o compartilhamento de dados entre Detrans nem sempre é ágil, o que pode atrasar a identificação de padrões suspeitos que atravessam fronteiras estaduais.
Enquanto isso, quem paga a conta é o cidadão

Imagem: Divulgação
Para provar que não estava no local da infração, o motorista precisa registrar boletim de ocorrência, abrir processo administrativo no Detran, reunir fotos atuais do veículo, acompanhar investigação e, em alguns casos, recorrer à Justiça para suspender penalidades.
Especialistas defendem uma combinação de medidas, revisão dos protocolos de fabricação e rastreabilidade das placas, fiscalização mais rigorosa das empresas estampadoras e uso de tecnologias como leitura automática de caracteres (OCR) integrada a bancos de dados nacionais.