Quando me deparei com o Citroën Basalt Dark Edition (R$ 129.890), gostei da combinação de cores e os detalhes exclusivos do SUV com ares de cupê. Não dá para negar que acertaram no visual que inclui rodas pintadas de preto brilhante e uma carroceria cinza contrastando com pontos vermelhos alaranjados.
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Mas Citroën Basalt tem fortes concorrentes hoje em dia, até da própria Stellantis, que tem o Fiat Fastback. E não poderiam faltar alguns itens básicos em um carro que beira os R$ 130 mil, como banco traseiro bipartido, partida por botão, carregador de celular por indução, acendimento automático dos faróis, hastes no volante para trocas de marchas, saída de ar para o banco traseiro, entre outros.
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A ideia do Dark Edition foi chamar atenção pela boa aparência, mas a falta desses equipamentos básicos para um carro nesta faixa de preço já desanima. De qualquer forma, há bom espaço, tanto para os cinco ocupantes quanto no porta-malas de bons 490 litros, que é maior que do VW Nivus (415), mas perde para o cavernoso do Fastback (516 litros).
Um SUV com fortes rivais
Imagem: Divulgação
As costuras vermelhas alaranjadas de detalhes do interior, como o painel e o volante, também lembram que você está dirigindo uma série especial. Mas nem tanto quando tiver que destravar as portas ou ajustar os espelhos retrovisores por comandos mal localizados na parte esquerda do painel, meio escondidos, como no simplório C3.
O que vai animar é o desempenho do motor 1.0 turboflex, ainda mais levando em consideração que o Basalt (1.191 kg) é mais leve que os rivais Fastback (1.245 kg) e Nivus (1.238 kg). Isso favorece a relação entre peso e potência, o que acaba influindo na agilidade no dia a dia. São 9,2 kg/cv ante 9,6 kg/cv do Fiat e 9,7 kg/cv do VW.

Imagem: Divulgação
Traduzindo em miúdos, significa que ao acelerar o Basalt Dark Edition é mais rápido, indo de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos, quase o mesmo que o Fastback (9,4 s) e antes dos 10s do Nivus. O Citroën tem máxima de 199 km/h, ante 196 km/h do Fiat e 192 km/h do VW.
O problema é que o Basalt não transmite tanta segurança quanto o Nivus. Para começar, os freios são a tambor na traseira. Sem as hastes atrás do volante para trocas de marcas sequenciais fica difícil assumir uma direção mais esportiva. E a posição de dirigir é prejudicada com a falta da regulagem de profundidade do volante.
A escolha pelo câmbio CVT que simula 7 marchas também não é das melhores quando o assunto é desempenho, nem a altura livre do solo de 20,8 cm, bom para superar obstáculos pelo caminho, mas que leva a um centro de gravidade mais alto e oscilações indesejáveis da carroceria nas curvas.
Então, é melhor acelerar em linha reta, e deixar os pneus 205/60R 16 ajudarem a manter a estabilidade junto com os controles eletrônicos obrigatórios por lei (ABS e o ESP). Além disso, se é que serve de contento, o consumo do Basalt Dark Edition não é dos mais altos de acordo com dados do Inmetro.
https://www.youtube.com/watch?v=/TC2kWHk4ASE
Faz 12,1 km/l de gasolina na cidade e 13,7 /l na estrada, números que passam para 8,4 km/l e 9,6 com etanol, respectivamente. O tanque é de 47 litros e a autonomia teórica, ainda levando em conto os dados do Inmetro, chega a 569 km na cidade e 644 km na estrada quando o tanque estiver cheio de gasolina.
Na lista de equipamentos, entre ou poucos itens que chamam atenção na comparação com o Fastback e o Nivus são apenas três: faróis de neblina, luz no porta-luvas e tomada de 12 volts no painel. Nada muito compatível com a bela aparência do Citroën, que não tem limpador do vidro traseiro.
Veredicto
Ficou boa combinação de cores e o visual do Basalt Dark Edition, que anda bem com o motor 1.0 turboflex, principalmente com uma carroceria relativamente leve. Mas pelo preço, faltam vários itens de série para um carro que tem fortes concorrentes no mercado brasileiro atualmente.

Imagem: Carlos Guimarães