Cientistas investigam efeitos do Tylenol na gravidez após estudo apontar alterações em órgãos reprodutivos de bebês do sexo feminino

Estudo aponta alterações em órgãos reprodutivos de bebês após exposição ao Tylenol na gravidezFoto: Canva/ND Mais

Pesquisadores investigam se o uso de Tylenol durante a gravidez pode influenciar o desenvolvimento dos órgãos reprodutivos de bebês do sexo feminino.

Os resultados apontam diferenças entre meninas expostas ao medicamento ainda no útero e aquelas cujas mães não utilizaram o analgésico durante a gestação. Apesar disso, os autores destacam que o estudo não comprova que o remédio seja a causa direta dessas alterações. As informações são da Reuters.

A pesquisa foi liderada por Margit Bistrup Fischer, do Rigshospitalet, em Copenhague (Dinamarca), e divulgada na revista Human Reproduction Open.

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O que os pesquisadores encontraram

Entre as principais diferenças observadas nas meninas expostas ao Tylenol durante a gestação estão:

  • Volume ovariano, em média, 40% menor;
  • Volume uterino 13% inferior;
  • Cerca de 23% menos folículos ovarianos, estruturas responsáveis por armazenar os óvulos imaturos;
  • Níveis mais baixos de hormônios reprodutivos.

Além disso, segundo a Reuters, os bebês do sexo feminino que foram expostas ao medicamento antes da 17ª semana de gestação apresentaram níveis reduzidos do hormônio antimülleriano, indicador utilizado para avaliar a quantidade e a qualidade dos óvulos presentes nos ovários.

Como o estudo foi realizado

Os pesquisadores acompanharam 302 bebês do sexo feminino com três meses de idade. O grupo foi dividido da seguinte forma:

  • 92 bebês foram expostos ao Tylenol antes da 17ª semana de gravidez;
  • 67 tiveram a primeira exposição após esse período;
  • 143 nasceram de mães que não utilizaram o medicamento durante a gestação.

A exposição ao analgésico foi confirmada por meio de amostras de urina coletadas das mães. Segundo os pesquisadores, nenhuma das participantes ultrapassou a dose diária máxima recomendada de 4.000 miligramas. A maior parte utilizou o medicamento para aliviar dores de cabeça ou musculoesqueléticas.

Resultados também apareceram em outro grupo

Os cientistas ampliaram a análise para um segundo grupo formado por 1.210 meninas acompanhadas desde a infância até a adolescência, no qual as mães informaram ter utilizado Tylenol durante a gravidez. A exposição fetal ao medicamento foi associada à presença de úteros menores durante a puberdade.

Os pesquisadores também observaram que essas meninas desenvolveram ovários menores na adolescência.

Pesquisadora pede cautela na interpretação

Apesar dos resultados, Margit Bistrup Fischer afirmou que mulheres que utilizaram Tylenol durante a gravidez não devem ficar alarmadas.

Segundo ela, os dados não permitem prever o desenvolvimento reprodutivo de uma mulher ou de uma criança específica. Ela ressaltou que muitas participantes que fizeram uso do medicamento tiveram filhas com medidas ovarianas semelhantes às observadas nas meninas cujas mães não utilizaram o analgésico.

Especialista defende acompanhamento até a vida adulta

De acordo com a Reuters, em um comentário publicado junto ao estudo, o especialista em medicina reprodutiva Christian De Geyter, do Hospital Universitário de Basileia, na Suíça, afirmou que o acompanhamento das meninas expostas ao Tylenol ainda no útero deveria continuar até a menopausa.

Segundo ele, isso ajudaria a verificar se as alterações identificadas na infância terão consequências ao longo da vida.

Recomendações médicas sobre uso de Tylenol na gravidez não foram alteradas

Mesmo com as novas descobertas, as diretrizes atuais continuam considerando o Tylenol um medicamento seguro.

O remédio é indicado para o tratamento de dor e febre durante a gravidez, quando utilizado conforme as orientações médicas.

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