Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Columbia, em Nova York, e publicado no periódico Annals of Internal Medicine, revela que mesmo uma redução moderada no tempo de descanso — cerca de 80 minutos a menos por noite — pode causar ganho de peso em apenas seis semanas.
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A pesquisa acompanhou cerca de 100 adultos que dormiam habitualmente de sete a oito horas por noite. Os participantes foram divididos em dois grupos: o primeiro manteve sua rotina normal, enquanto o segundo passou a dormir 80 minutos a menos por noite durante seis semanas, mantendo o mesmo horário de acordar.
Ao fim do experimento, os voluntários com restrição de sono ganharam, em média, 450 gramas (1 libra), enquanto o grupo com sono regular manteve o peso. Além do aumento na balança, as pessoas que dormiram menos registraram 20 minutos a menos de atividade física diária, apesar de passarem mais tempo acordadas.
Alerta para o longo prazo
O Dr. Faris Zuraikat, nutricionista e primeiro autor da pesquisa, ressaltou que o ganho observado em seis semanas pode parecer pequeno à primeira vista, mas preocupa no longo prazo.
“Quando extrapolamos esse resultado para um ano inteiro, estimamos que perder menos de uma hora e meia de sono por noite pode resultar em um ganho de peso clinicamente significativo”, explicou Zuraikat.
O grupo com sono reduzido dormiu, em média, entre 5h40 e 6h40 por noite — um padrão comum na rotina da maioria dos adultos. Não foram observadas alterações imediatas na gordura corporal ou massa muscular, o que os cientistas atribuem à curta duração da análise. A ingestão calórica dos participantes não foi monitorada de forma controlada.
Relação entre hormônios e cansaço
Embora os mecanismos exatos ainda estejam em investigação, os autores sugerem que a privação do sono interfere na regulação hormonal. Pesquisas anteriores comprovam que dormir mal eleva os níveis de grelina — o hormônio responsável por estimular a fome —, o que induz o indivíduo a comer mais ao longo do dia.
O estudo é um dos primeiros a demonstrar que até restrições leves de sono geram impacto ponderal direto. A Dra. Marie-Pierre St-Onge, coordenadora da investigação, enfatizou o papel preventivo do descanso:
“Nosso estudo mostra que dormir adequadamente ajuda a prevenir o ganho de peso e o risco de doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão. Acreditar que basta ajustar dieta e exercícios para compensar noites mal dormidas é uma visão simplista e difícil de manter no dia a dia.”
Impactos na saúde global
Estima-se que quase um terço da população adulta não atinja a meta recomendada de 7 a 9 horas de descanso noturno. Além do impacto no metabolismo e no peso, a privação crônica de sono está associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2 e demência. O sono profundo é vital para a reparação celular e para a eliminação de toxinas cerebrais acumuladas durante o dia.
Os pesquisadores destacam que, por ter sido conduzido com um grupo reduzido de voluntários, o estudo precisará ser replicado em amostras maiores para confirmar as projeções em longo prazo.