Duas tradicionais redes do varejo brasileiro entraram com pedidos de recuperação judicial em meio ao agravamento das dificuldades financeiras do setor. O Grupo Casas Bahia protocolou o pedido na Justiça de São Paulo com R$ 17,3 bilhões em dívidas, enquanto a Marabraz apresentou solicitação com um passivo de aproximadamente R$ 140 milhões.
O caso da Casas Bahia envolve dez empresas do grupo, incluindo as responsáveis pelas marcas Casas Bahia e Ponto Frio, além de operações de comércio eletrônico, logística, tecnologia e fabricação de móveis. Do total declarado, R$ 16,4 bilhões correspondem a credores sem garantia, R$ 754 milhões são dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões envolvem micro e pequenas empresas.
A companhia também anunciou uma forte redução da operação, com o fechamento de 298 lojas e cortes que podem atingir cerca de 3 mil funcionários. A medida ocorre após a empresa registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
Já a Marabraz apresentou o pedido no sábado (15), atribuindo a deterioração financeira a fatores como juros elevados, restrição ao crédito e alto endividamento. A empresa também citou conflitos societários e familiares que teriam dificultado a obtenção de novos financiamentos.
Apesar do pedido, a Marabraz informou que suas lojas continuam funcionando. A recuperação judicial busca reorganizar os compromissos financeiros e preservar as operações, empregos e relações com clientes e fornecedores.
Os dois casos ocorrem em um cenário de juros elevados, crédito mais restrito e dificuldades para o consumo das famílias, aumentando a pressão sobre empresas que dependem de financiamento e vendas parceladas.