Casa romana de 1.800 anos é encontrada sob escola em Roma

Casa romana de 1.800 anos é encontrada sob escola em RomaFoto: Cantieri Narranti/Special Superintendency of Rome/Divulgação/ND Mais

Uma história repetida por anos pelos corredores de uma escola em Roma acabou se transformando em uma das descobertas arqueológicas mais curiosas da capital italiana. A poucos metros do Coliseu, arqueólogos encontraram os vestígios de uma ampla residência romana (domus) construída há cerca de 1.800 anos.

A estrutura estava sob o ginásio do Liceo Scientifico Cavour, uma escola de ensino médio de Roma, e a descoberta veio à tona após relatos de estudantes sobre salas subterrâneas escondidas sob o prédio. As histórias circulavam havia décadas e eram frequentemente tratadas como lenda.

Tudo mudou quando a arqueóloga Claudia Marino, que também leciona na instituição, decidiu verificar pessoalmente os espaços mencionados pelos alunos.

Após uma rápida inspeção no local, a profissional acionou a Superintendência Especial de Roma para Arqueologia, Belas Artes e Paisagem, dando início a uma série de investigações que culminaram em escavações arqueológicas iniciadas ainda em setembro de 2025.

Os trabalhos revelaram parte de uma grande residência urbana pertencente a uma das famílias mais abastadas da Roma Antiga. O imóvel remonta a meados do século II d.C. e está localizado em uma área historicamente valorizada da cidade, entre o bairro de Carinae e o Monte Esquilino.

A região era considerada uma das mais prestigiadas da Roma imperial. Fontes históricas associam o local a figuras importantes da Antiguidade.

Afrescos e estuques sobreviveram por quase dois milênios

Um dos aspectos que mais impressionaram os arqueólogos foi o estado de conservação da residência.

Casa romana de 1.800 anos surpreende arqueólogos em Roma.Casa romana de 1.800 anos surpreende arqueólogos em RomaFoto: Cantieri Narranti/Special Superintendency of Rome/Divulgação/ND Mais

Mesmo após séculos soterrada e sucessivas transformações urbanas na superfície, parte da decoração interna permaneceu praticamente intacta. As equipes encontraram paredes pintadas, afrescos coloridos, estuques ornamentais e detalhes decorativos preservados até mesmo nas abóbadas dos cômodos.

Entre os ambientes já escavados está uma sala com piso de mosaico preto formado por peças grandes e irregulares. Além da arquitetura, os pesquisadores encontraram uma ânfora, recipientes menores de períodos posteriores e dezenas de caixas contendo artefatos que agora passarão por estudos e catalogação.

Pistas apontam para antigos proprietários

Embora a identidade dos moradores ainda seja objeto de pesquisa, os arqueólogos encontraram indícios que ajudam a reconstruir a história da propriedade.

Registros de escavações realizadas na mesma área no final do século XIX já haviam revelado um cano de abastecimento de água associado à família Umbrius. Agora, novas evidências ligadas ao sistema hidráulico da residência permitiram identificar nomes relacionados aos ocupantes da domus.

Segundo os pesquisadores, os primeiros proprietários conhecidos teriam sido L. Fabius Gallus e, posteriormente, Umbria Albina. A conexão foi estabelecida por meio de inscrições relacionadas ao abastecimento de água, privilégio reservado aos membros das classes mais influentes da sociedade romana.

Grafites modernos também chamaram atenção em casa romana de 1.800 anos

As escavações não trouxeram à luz apenas vestígios da Roma Antiga. Nas paredes subterrâneas foram encontrados grafites produzidos entre as décadas de 1920 e 1950. Os registros incluem nomes, sobrenomes, datas e inscrições deixadas por visitantes ao longo do século XX, algumas delas feitas com fuligem de isqueiros.

O material também será analisado por especialistas, oferecendo um retrato inesperado de como os espaços foram utilizados muito depois do fim da ocupação romana. Mas, apesar dos avanços, os arqueólogos acreditam que apenas uma pequena parte do complexo residencial foi revelada.

Segundo a Superintendência de Roma, a domus se estende para além da área já escavada e continua sob outras estruturas do campus escolar.

Isso significa que a verdadeira dimensão da residência ainda permanece desconhecida. As obras fazem parte do programa Caput Mundi, financiado pelo Plano Nacional de Recuperação e Resiliência da Itália, que destinou recursos para escavações, restauração, conservação e futuras ações de visitação pública.

O objetivo é transformar o sítio arqueológico em um espaço acessível à população e integrado às atividades educacionais da própria escola.

*Com informações dos jornais Times of India e La Repubblica.

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