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Caneta emagrecedora no SUS: projeto-piloto com 250 pacientes pode liberar tratamento gratuito no Brasil

Caneta emagrecedora no SUS está sendo analisada por meio de um projeto-piloto com 250 pacientes com obesidade grave em Porto Alegre (RS)Foto: Freepik/Reprodução

O SUS (Sistema Único de Saúde) ainda não oferece canetas emagrecedoras para o tratamento da obesidade, mas um projeto-piloto com 250 pacientes pode ajudar a definir se esses medicamentos serão incorporados à rede pública brasileira.

O estudo, chamado Real-Bari, começou no fim de junho em um hospital de Porto Alegre (RS) e acompanha pessoas com obesidade grave que estão na fila para realizar cirurgia bariátrica. Os participantes passaram a receber gratuitamente tratamento com medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo presente em remédios como Ozempic e Wegovy.

Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo do projeto é avaliar como a terapia pode se adaptar à realidade do SUS e qual seria o impacto financeiro da adoção dos medicamentos. As informações são da DW (Deutsche Welle).

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Atualmente, o SUS não possui nenhum medicamento específico contra a obesidade. A principal alternativa disponível é a cirurgia bariátrica, procedimento que pode levar anos até ser realizado por causa da fila de espera.

Caneta emagrecedora no SUS: projeto-piloto com 250 pacientes pode abrir caminho para tratamento gratuito no BrasilO SUS ainda não oferece nenhum tipo de caneta emagrecedora para o tratamento da obesidadeFoto: Jeronimo Gonzales/MS/ND Mais

A discussão sobre a chegada das canetas emagrecedoras ao sistema público ganhou força com o avanço dos medicamentos e dos resultados apresentados no tratamento da doença. No entanto, o alto custo ainda é um dos principais obstáculos.

Obesidade cresce no Brasil e pressiona SUS

A necessidade de ampliar as opções de tratamento ocorre em meio ao aumento dos casos de obesidade no país. Dados do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde, mostram que 25,7% dos adultos brasileiros tinham obesidade em 2024.

Em 2006, quando a pesquisa começou, o índice era de 11,8%.

Especialistas ouvidos pela DW afirmam que o SUS tem histórico de dificuldades para implementar políticas públicas voltadas ao combate da obesidade, apesar do crescimento acelerado da doença.

No ano passado, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) analisou pedidos para incluir dois medicamentos usados contra obesidade e diabetes tipo 2: a liraglutida, presente em remédios como Saxenda e Victoza, e a semaglutida, usada em Ozempic e Wegovy.

Caneta emagrecedora no SUS: projeto-piloto com 250 pacientes pode abrir caminho para tratamento gratuito no BrasilO Ministério da Saúde avalia a possibilidade de incorporar medicamentos contra obesidade à rede públicaFoto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND

As propostas foram rejeitadas devido ao impacto financeiro estimado, que ultrapassaria R$ 8 bilhões.

Fim da patente do Ozempic pode reduzir custos

O cenário mudou após março deste ano, quando a patente da semaglutida chegou ao fim. A perda da exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk abriu espaço para que outras empresas produzam versões do medicamento com preços mais baixos.

O Ministério da Saúde pediu prioridade à Anvisa para analisar registros de novos medicamentos com os princípios ativos dos chamados agonistas de GLP-1, como semaglutida e liraglutida.

Nos últimos meses, a agência recebeu 18 pedidos de registro de novos medicamentos à base de semaglutida.

Em junho, chegou às farmácias a primeira caneta emagrecedora brasileira com o princípio ativo: a Ozivy, fabricada pela EMS.

A semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, está no centro das discussões sobre a incorporação de canetas emagrecedorasFoto: Shutterstock/Reprodução/NDA semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, está no centro das discussões sobre a incorporação de canetas emagrecedorasFoto: Shutterstock/Reprodução/ND

Na última quarta-feira (29), a Anvisa aprovou ainda outros cinco medicamentos com semaglutida: Zempneo, Semavy, Orsema, Seemasun e Owozy. Ainda não há informações sobre quando os produtos estarão disponíveis para venda ou quais serão os preços.

Em nota à DW, o Ministério da Saúde afirmou que a chegada de novos fabricantes deve aumentar a concorrência e reduzir os valores dos tratamentos.

“Com a entrada de genéricos no mercado e o aumento da concorrência, os preços devem cair de forma significativa, sendo esse um fator determinante para a análise de uma possível incorporação ao SUS”, informou a pasta.

Semaglutida pode voltar à análise do SUS

A farmacêutica Novo Nordisk apresentou em junho um novo pedido para incluir a semaglutida no SUS. Desta vez, a empresa ofereceu desconto de 59% no valor de referência e restringiu o público-alvo.

A proposta prevê o uso do medicamento para pacientes com mais de 45 anos, sem diabetes, com obesidade grave e histórico de infarto.

A empresa afirma que a restrição busca priorizar pessoas com maior risco clínico e maior potencial de benefício para o sistema de saúde.

Segundo a farmacêutica, estudos indicam que a semaglutida pode reduzir em 20% o risco de morte cardiovascular, infarto e AVC em pacientes com sobrepeso ou obesidade sem diabetes, mas com doença cardiovascular já estabelecida.

A Conitec tem prazo de até 180 dias para avaliar o pedido. Caso a incorporação seja aprovada, o medicamento ainda precisará passar por um processo de licitação.

Caneta emagrecedora no SUS será liberada para todos?

Especialistas avaliam que, caso as canetas emagrecedoras sejam incorporadas ao SUS, o acesso inicial deve ser restrito a grupos específicos.

A endocrinologista Maria Edna de Melo, do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP, afirma que a queda nos preços trouxe uma nova perspectiva.

Segundo ela, a semaglutida chegou a custar cerca de R$ 1,4 mil, mas versões similares já podem ser encontradas por aproximadamente R$ 330 em promoções.

Para o endocrinologista Paulo Miranda, ex-presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), os medicamentos podem trazer benefícios além da perda de peso, como redução de problemas cardiovasculares e da progressão de doenças renais.

Apesar dos avanços, especialistas destacam que o tratamento da obesidade não depende apenas das canetas emagrecedoras. O acompanhamento com profissionais de saúde, incluindo orientação nutricional e incentivo à prática de atividades físicas, continua sendo considerado fundamental.

“A obesidade, assim como o diabetes, é uma doença crônica e exige planejamento a longo prazo. Isso também requer atenção multiprofissional para que o paciente receba o tratamento adequado”, afirmou Miranda.

*Com informações da Deutsche Welle.

Procure orientação profissional de saúde As informações sobre saúde e bem-estar publicadas neste conteúdo têm caráter informativo e não substituem o diagnóstico ou tratamento feito por profissionais. Se você estiver com sintomas ou dúvidas relacionadas à sua saúde física ou mental, procure um médico ou profissional habilitado.

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