A Câmara de São Paulo foi palco de uma batalha entre defensores e opositores do aborto. Um projeto de lei que estabelece campanha de conscientização aos riscos psicológicos decorrentes da prática dominou os trabalhos da sessão ordinária de quarta-feira (17). Apesar dos protestos e argumentos contrários, ele foi aprovado em primeira votação, necessitando de outra para ser levado à sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Originalmente concebido por Sonaira Fernandes (PL), a semana tem como objetivo, de acordo com a justificativa, proteger o bem-estar mental das mulheres que passaram pelo processo, por meio de ações educativas a serem realizadas ao longo da semana do Dia Nacional pelo direito à Vida, que acontece em 08 de outubro. Os vereadores Ely Teruel (MDB) e Rubinho Nunes (União) posteriormente se tornaram coautores do projeto.
Entre aquelas que se manifestaram de forma contrária, o posicionamento mais forte veio de Luana Alves (PSOL) ao classificá-lo com adjetivos como “cínico, covarde e baixo”, ao repudiar a existência de um “trauma pós-aborto”. Marina Bragante (Rede) por sua vez, usou como base o fato de o sistema público de saúde, na sua visão, já contar com canais para ajudar essas pessoas. Depois de muito tumulto, o projeto passou com 29 votos favoráveis e nove contrários.