Uma base de samba, com influências da black music americana, e citações diversas à africanidade. Jorge Ben Jor – na época só Jorge Ben – montou esse caldeirão sonoro com excelência no disco África Brasil, que completa 50 anos de lançamento em 2026.
O trabalho sintetiza a inventividade da música brasileira. O cantor e compositor se apresenta bastante à vontade nesse clássico registro fonográfico produzido por Marco Mazzola.
Mesmo o álbum marcando na carreira de Jorge Ben a troca definitiva do violão à guitarra, o que em tese traria um som mais elétrico ao trabalho, o disco tem o elemento percussivo como central – conduzido no disco por Wilson das Neves (bateria e timbales), Luna (surdo), Neném (cuíca), Djalma Corrêa, Hermes e Ariovaldo (percussão geral).
O músico, autor sozinho das 11 faixas de África Brasil, revela uma enorme imaginação em consolidar ritmos e referências afro-brasileiras e afro-americanas (funk e soul).
A expressão da identidade negra na faixa de abertura, Ponta de Lança Africano (Umbabarauma), e nas músicas Xica da Silva, Cavaleiro do Cavalo Imaculado e Zumbi (África Brasil) são um diálogo musical do artista com as raízes da música brasileira, explicados de forma sonoro-poética em cada faixa.
Está relacionado no disco também a canção Taj Mahal, som universal como alguns outros de Jorge Ben que ganharam o mundo, como País Tropical. Taj Mahal (que foi originalmente lançada pelo músico em 1972) faz referência remota a história do mundo, assim como a segunda faixa Hermes Trismegisto Escreveu, citação à cultura egípcio-grega antiga.
Nas faixas O Filósofo, Meus Filhos, Meu Tesouro e O Plebeu Jorge Ben expõe a simplicidade dos homens. Na música A História de Jorge, um reconhecimento de si mesmo. E em Camisa 10 da Gávea – uma homenagem ao jogador Zico -, a devoção ao futebol, paixão popular.
O álbum África Brasil revela um aproveitamento de recursos musicais e líricos de forma magistral, com tom tipicamente brasileiro. É um discaço de Jorge Ben Jor.