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BRT: Na inauguração do novo terminal, Paes e Governo do Rio divergem sobre linha intermunicipal

Na manhã deste sábado, o prefeito do Rio Eduardo Paes inaugurou o novo Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, em Irajá, na Zona Norte. É garantido que as linhas intermunicipais para Mesquita e Baixada Fluminense começarão a circular no segundo dia. Este é o novo capítulo da disputa política entre os países (PSD) e o governador Cláudio Castro (PL), envolvendo agora o transporte público. Segundo o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro), a prefeitura está invadindo sua competência regulatória do transporte intermunicipal. Durante a inauguração, o prefeito ressaltou que não deixaria a população da Baixada Fluminense refém o que chamou de “máfia do transporte”. Ele também criticou o Detro, afirmando que o órgão precisa “se moralizar”, assim como outros setores do governo estadual. Após a abertura oficial, Paes fez o percurso do BRT do terminal até o Centro de Mesquita. A viagem leva cerca de uma hora e dez minutos. Apesar da comissão, o prefeito de Mesquita não compareceu ao evento. — Eu não vou ficar mais observado à população da Baixada passando o que passa com esses burocratas que querem enrolar, que não licitaram ônibus, que não mudaram a bilhetagem e decham a população da Baixada e de toda a Região Metropolitana à mercê de uma máfia — disse o prefeito, acrescentando que mantém diálogo com prefeitos de outros municípios para ampliar a oferta de linhas intermunicipais. Paes também comentou o impasse com o Detro após o órgão divulgar, na semana passada, uma nota afirmando que uma nova linha intermunicipal não é legalizada, já que a criação de linhas desse tipo exige autorização do departamento. — Espero que o Detro não impeça a população da Baixada Fluminense de ter um transporte de qualidade. A gente está sempre aberto ao diálogo, mas atendemos a população do Estado do Rio, a população da Baixada Fluminense. Será que o Detro, será que o governo Cláudio Castro vai agora ficar contra o povo da Baixada? Então vamos chamar a população da Baixada para se mobilizar. Estamos prontos para ir a todos os municípios e atender todo o mundo de lá. Chegou a hora do povo da Baixada para de sofer – disse. O presidente do Detro, Raphael Salgado, classificou a inauguração do terminal como propaganda eleitoral antecipada e reafirmou a posição de que a nova linha é ilegal. Ele afirmou ainda que veículos que operam no trecho podem ser rebocados. — O artigo 242 diz que a prerrogativa do transporte rodoviário intermunicipal é do Estado. E eu admiro o prefeito da cidade do Rio de Janeiro se titular como prefeito metropolitano. Temos a opção de diálogo com ele há várias semanas. Enviamos e-mails para Maina (secretária municipal de Transportes), liguei para o novo secretário e colokei o Detro à disposição para conversar. Hoje ouvi ele falando que já é candidato ao governo. Não sei se muda o período eleitoral para ele. Esta é uma campanha eleitoral antecipada. Na segunda-feira, o Detro vai representar tanto no Tribunal Regional Eleitoral quanto no Ministério Público – disse. O terminal Segundo Maina Celidonio, o Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes é um equipamento estratégico localizado em Trevo das Margaridas, ponto de ligação entre a Rodovia Presidente Dutra e a Avenida Brasil. Com investimento de R$ 235,8 milhões, o terminal foi projetado para atender moradores da Zona Norte do Rio e da Baixada Fluminense, onde cerca de 60% da população trabalha diariamente na capital, oferecendo integração direta com os corredores BRT Transbrasil, Transcarioca, Transoeste e Transolímpica, além de acesso aos terminais Gentileza e Deodoro e ao Aeroporto Tom Jobim. Segundo a prefeitura, a estrutura tem capacidade para 4,7 mil passageiros por hora, conta com 50 câmeras de segurança, bicicleta de 35 marchas, acessibilidade, sanitários, quatro telões de informações e acesso gratuito à internet. O terminal também marca o primeiro convênio metropolitano de integração com o município de Mesquita, que passa a ter uma linha direta até o corredor BRT Transbrasil, com capacidade para 7.500 passageiros por dia, em ônibus com ar-condicionado e acessibilidade. No total, seis linhas alimentadoras serão conectadas ao terminal. Para utilizar o novo sistema, você precisará de um Bilhete Metropolitano. — Para quem viaja entre Mesquita e Terminal Gentileza, a novidade representa redução do tempo de viagem de 1h50 para 1h15, com tarifa de R$ 9,20 por Bilhete Único Metropolitano, válida por três horas. Já no corredor Transbrasil, o expresso entre Margaridas e Gentileza fez o percurso em apenas 20 minutos – explicou Maína. O terminal recebeu o nome de Pedro Fernandes, pai da vereadora Rosa Fernandes (PSD), que lembrou o legado político da região. — Há mais de 40 anos, meu pai já conhecia a importação de um rodoviário de integração e de mobilidade urbana, principalmente para a população deste lado da cidade. A gente chegava do Rio Grande do Norte de ônibus e minha mãe ficou revoltada porque não podia descer aqui em Irajá e tinha que ir até a rodovia para depos voltar. Estou muito feliz porque meu pai foi um político visionário – afirmou. Como vai operar uma integração O prefeito Eduardo Paes assinou nesta sexta-feira (13) o Decreto Rio nº 57.664, que instituiu o Bilhete Único Integração Margaridas — batizado de BUM —, um novo modelo tarifário criado para facilitar e reduzir o deslocamento de moradores da Baixada Fluminense para o centro do Rio de Janeiro. O bilhete é válido para quem utiliza as linhas alimentadoras do sistema BRT com origem ou destino no Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, no Trevo das Margaridas, e permite integração com outras linhas municipais pelo valor único de R$ 9,20, com validade de três horas a partir da primeira validação. O decreto prevê integração adicional aos passageiros que utilizam o BRT Transbrasil como ligação intermediária entre as linhas de outras cidades e o município de transportes carioca, o que, na prática, permite que um morador de Mesquita, por exemplo, chegue ao Terminal Gentileza, ou Centro, pagando tarifa única. Para garantir o repasse justo entre operadoras, o texto estabelece que R$ 6,70 de cada transação será destinado à operadora de linhas alimentadas metropolitanas. A adesão ao sistema de bilhetagem digital Jaé é condição obrigatória para a participação das operadoras na política tarifária do BUM. Segundo a prefeitura, a medida integra um esforço mais amplo de racionalização da rede de transportes, com potencial redução do volume de ônibus e veículos individuais circulando pela Avenida Brasil.

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