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Brasil precisa evitar papel de mero exportação de terras raras – Times Brasil

O Brasil precisa aproveitar o avanço do quadro de minerais críticos para garantir a transferência de tecnologia, industrialização e agregação de valor às terras raras, evitando repetir o modelo histórico de exportação de commodities sem beneficiamento. Uma avaliação é de Ronaldo Félixespecialista em comércio exterior e sócio da Saygo Comex, comentou o projeto aprovado pela Câmara e a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ele é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpem meio à disputa global por recursos estratégicos.

“O Brasil está super disposto a criar essas parcerias, principalmente com os Estados Unidos, elas garantem a transferência de conhecimento e tecnologia para que o país não passe apenas uma oferta e sim uma commodity sem benefício”, disse. Tempo realjornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBCnesta quinta-feira (7).

Segundo ele, o encontro entre Lula e Trump coloca o tema das terras raras no centro da agenda geopolítica internacional e exige equilíbrio diplomático do governo brasileiro. “O Brasil precisa promover o melhor relacionamento com os Estados Unidos, mas sem perder o relacionamento que já tem com a China, que hoje é o nosso maior parceiro comercial”, ressaltou.

O projeto aprovado pela Câmara é considerado equilibrado

Com a avaliação de Ronaldo Félix, o texto aprovado pela Câmara conseguiu avançar em pontos considerados essenciais para atrair investimentos e estruturar o setor no país. “Na essência, o projeto está bem equilibrado”, disse.

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Segundo ele, a proposta foi construída sobre três princípios básicos: geopolítica, industrialização com desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade associada à capacitação técnica. “O projeto deixa claro que o Brasil não pode ser simplesmente mais um exportador de commodities apenas com separação e separação”, explicou.

O especialista destacou que o país tem posição estratégica no mercado global de terras raras. Segundo ele, o Brasil concentra aproximadamente 20% das reservas mundiais desses minerais, enquanto um China líder com cerca de 40%. “Num prazo médio, o Brasil precisa virar também um país que vai se industrializar e se beneficiar de materiais acabados vindos dessas terras raras”, apontou.

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Governança federal deve sobreviver com autonomia regional

Ronaldo Félix afirmou que o projeto preserva o poder do Estado e administra minerais críticos, mas defende maior flexibilidade para estados e municípios em projetos locais. “Os ajustes necessários são manter essa governança para o governo federal, mas flexibilizar também para os governos municipais”, observou.

Como exemplo, ele citou operações em andamento em Goiásonde já existe atividade de extração e separação de minerais críticos associados a acordos de investimento com os Estados Unidos. “Garantir que os estados tenham autonomia para fazer uma gestão, mas seguir as posições definidas pelo governo federal, é importante”, destacou.

Fundo de R$ 5 bilhões é considerado insuficiente

O especialista avaliou que o fundo garantidor previsto no texto, de R$ 5 bilhõesrepresenta apenas um ponto de partida para o desenvolvimento da cadeia produtiva. “Esse é um valor mínimo para se iniciar e ampliar o projeto, mas longe de ser o necessário”, disse.

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Segundo ele, o Brasil ainda depende fortemente de investimentos externos para acelerar as etapas mais avançadas da cadeia produtiva, como o refino e a industrialização. “O governo em si não será capaz de promover toda essa muendaza”, frisou.

Ronaldo Félix explicou que o país já possui algum conhecimento técnico nas etapas de extração e separação, mas ainda precisa avançar em eficiência tecnológica e processamento industrial. “Os primeiros anos vão focar muito na especialização e separação porque é onde o Brasil já possui know-how”, concluiu.

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