A possível nomeação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) reabre discussões sobre a fronteira entre técnica jurídica e conveniência política.
Atual advogado-geral da União, Messias construiu sólida carreira na defesa do Estado, mas carrega o peso simbólico do episódio que o imortalizou como o “Bessias” das gravações da Lava Jato.
Na época, era assessor jurídico da Casa Civil e tornou-se personagem involuntário do embate entre a presidente em exercício Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o então juiz Sergio Moro (atualmente senador), episódio esse que culminou na suspensão da posse de Lula pelo ministro Gilmar Mendes, agora potencial futuro colega de plenário.
A escolha de Messias, vista como aposta na continuidade de um perfil técnico, também reflete o esforço do governo em consolidar influência sobre o Supremo. O nome pode unir mérito e política, uma combinação que, no Brasil, raramente é neutra.
Atualmente, o STF conta com quatro ministros indicados por Lula: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Com a vaga aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso, Lula deverá fazer mais uma indicação na atual composição da corte.