Os banhistas que frequentam a Spiaggia di Berchida, na costa leste da ilha da Sardenha, na Itália, estão surpresos com o fato de dividirem a faixa de areia com vacas que circulam livremente pela região. Sim, isso mesmo, os turistas se deparam com mamíferos em meio a praia do mediterrâneo.
Apesar de inusitado, este fenômeno, que é bastante comum na costa próxima à cidade de Siniscola, no Golfo di Orosei, ocorre devido ao sistema de criação extensiva de gado livre, onde os animais buscam a vegetação das dunas após o período de chuvas de inverno.
Sazonalidade
A presença dos animais na orla não ocorre com a mesma intensidade durante todo o ano. Durante a primavera europeia, especificamente entre os meses de março e maio, as vacas aparecem com maior frequência, sempre atraídas pela vegetação que cresce com o período chuvoso.
Já no verão, o aumento do calor e do fluxo de turistas faz com que o movimento dos animais diminua. As vacas tendem a se afastar das áreas mais movimentadas, tornando os encontros menos prováveis.
Por essa razão, quem busca vivenciar a situação de forma mais intensa costuma escolher o final da primavera europeu, período em que o clima já permite o banho de mar, mas o volume de turistas ainda é reduzido.
Comportamento animal
A presença frequente dos bovinos na faixa de areia é reflexo da forma como o gado é criado na ilha. Sem cercas que limitam o deslocamento em busca de alimento, as vacas acabam chegando às dunas e, ocasionalmente, caminham próximas aos banhistas e entram no mar.
Vale frisar que este comportamento não é provocado pela interação com turistas, e faz parte somente da rotina natural dos animais. Por estarem acostumados com a movimentação humana, a busca por alimentos se torna ainda mais viável aos animais rurais.
Com o passar do tempo no local, a experiência de estranhamento inicial costuma dar lugar à contemplação. Entre os pontos que mais atraem os viajantes estão a convivência natural entre pessoas e animais, a paisagem praticamente intacta e a ausência de poluição visual, combinação rara em outras regiões da Europa onde o turismo é mais consistente.
Natureza preservada
Enquanto a maioria dos destinos turísticos se destaca pela infraestrutura de luxo ou pela beleza natural intocada, a Spiaggia di Berchida chama a atenção justamente pela presença inusitada das vacas. Apesar disso, quem visita o local também relata uma sensação de tranquilidade, que o diferencia do ritmo acelerado de praias mais populares do continente.
O cenário reúne características típicas do litoral mediterrâneo, com águas em tons de azul e verde e areia fina e clara. A paisagem estende-se por quilômetros sem grandes intervenções urbanas, hotéis à beira-mar ou estruturas intensas de turismo, o que ajuda a preservar o ambiente original da região.
Até o momento, o trecho litorâneo permanece pouco explorado por populares, mantendo um ritmo de contato direto com a natureza onde o convívio com os animais torna-se o principal atrativo para os visitantes.
De olho na onda
No surfe, a expressão “levar uma vaca” é usada para descrever a queda do praticante na água após perder o equilíbrio na prancha. O movimento, comum em diferentes níveis de experiência, ocorre geralmente durante a descida da onda ou em manobras mal executadas, fazendo com que o surfista seja arrastado pela força do mar.
A gíria faz parte do vocabulário do esporte e é tratada como etapa natural do aprendizado, presente tanto entre iniciantes quanto entre profissionais, como Gabriel Medina e Kelly Slater.
A expressão também abre espaço para um contraste fora do universo do surfe, como na Spiaggia di Berchida, onde as vacas não são metáfora do esporte aquático. A cena incomum ajuda a explicar o apelo do destino, conhecido justamente por experiências fora do padrão.