Copom reduz juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica ao menor nível desde o início do ciclo de flexibilização; decisão era esperada pelo mercado, mas próximos passos dividem analistas
O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16). Com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica de juros caiu de 14% para 13,75% ao ano. É o quinto corte consecutivo no mesmo ritmo, acumulando uma queda de 1,25 ponto percentual desde o início do ciclo de afrouxamento monetário, iniciado em março, quando a Selic atingiu o pico recente de 15% ao ano.
A redução já era esperada pelo mercado financeiro, e a expectativa predominante entre os analistas era justamente de um novo corte de 0,25 ponto percentual. A principal dúvida estava concentrada nos próximos passos do Copom: parte das instituições financeiras projetava uma interrupção do ciclo de flexibilização ainda neste ano, enquanto outras enxergavam espaço para novas reduções.
Inflação mais favorável, mas com ressalvas
O movimento ocorre em um cenário de inflação mais favorável. Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,32%, resultado melhor do que o esperado pelo mercado. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto.
A queda do IPCA, porém, teve forte influência de fatores pontuais. A principal contribuição veio da energia elétrica residencial, cuja tarifa caiu 7,63% em agosto em razão do bônus da usina hidrelétrica de Itaipu. O benefício, entretanto, é temporário, o que reduz a possibilidade de repetição desse efeito sobre a inflação nos próximos meses.
Esse efeito é um dos motivos para a cautela em relação à trajetória futura da inflação. Apesar da melhora do índice, o desempenho de agosto não necessariamente representa uma mudança estrutural no comportamento dos preços. A evolução dos serviços, dos núcleos de inflação e das expectativas deverá ser importante para definir os próximos movimentos da política monetária.
Incerteza sobre os próximos passos
Com a Selic em 13,75%, o mercado se divide sobre o que acontecerá na próxima reunião, marcada para o início de novembro. O BTG Pactual e o Itaú BBA projetam uma pausa no ciclo de cortes. Para o BTG, a interrupção permitiria observar a evolução das expectativas de inflação e incorporar as definições do cenário econômico após as eleições. O banco projeta Selic de 13,75% ao ano no fim de 2026.
A XP Investimentos tem uma visão diferente e prevê mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 13,25% ao ano no encerramento de 2026. A instituição considera que a desaceleração recente da atividade e uma inflação mais benigna ainda podem abrir espaço para novas reduções.
O cenário externo também adiciona incertezas à trajetória dos juros brasileiros. Entre os fatores de atenção estão a possibilidade de pressão sobre os preços do petróleo e os efeitos do El Niño sobre a inflação. A combinação desses elementos pode dificultar uma redução mais acelerada da taxa básica. Assim, embora o Copom tenha mantido o ritmo de cortes nesta quarta-feira, as projeções para a próxima reunião estão divididas — ao menos por enquanto.