Alexandre Defendeu lecionou o programa de Antropologia Social da USP em 2019 e, agora, está pronto para publicar os resultados de sua pesquisa em livro. Ele me levou embora A paixão por guardar, o livro está em campanha de financiamento coletivo no Catarse. Oh O prazo para apoiar o projeto é 30 de março.
Tanto Solange quanto Alexandre observaram que o fato de Nery guardar uma documentação tão ampla lhe permitiu investigar aspectos pouco conhecidos da história cotidiana da classe trabalhadora e, especificamente, da população negra em um local tão urbanizado como São Paulo. “A gente pouco sabe, na verdade, o que as pessoas pobres consomem, o que a classe trabalhadara consome”, refletiu Alexandre. Uma possibilidade de pesquisa, por exemplo, investigar quais eram os preços de certos produtos nos anos 1950. Relacionando esses preços com os dados da época sobre o salário mínimo, um historiador poderia fazer inferências sobre quem tinha acesso a um determinado produto de consumo. “Não é uma tarefa fácil para o historiador”, comentou a professora Solange.
Mas o arquivo do museu não é um filme da sua história. Atualmente, o material está em processo de tratamento e catalogação. Quem está à frente dessa tarefa é Liliane Braga, pesquisadora de pós-doutorado no museu. “A Nery guardou tudo. Sendo uma acumuladora, ela tem um arquivo muito precioso, porque ele permite que a gente conheça aspectos da vida cotidiana dessas mulheres, mulheres negras da década de 1950”, afirma uma pós-doutoranda, que trabalha no ciclo curatorial do arquivo. Este ciclo envolve atividades de pesquisa, catalogação, conservação e difusão do arquivo.
“Acho que pensar a acumulação dessa outra perspectiva, que é a paixão por guardar, é a nossa chave principal. Porque quando a gente fala em acumulação, a gente geralmente vê isso como demérito nessa sociedade que é a sociedade do descarte, que é a sociedade que não tem memória, que é a sociedade do apagamento.