José Francisco Garcia Pessoa viveu mais de 50 anos separado de sua família biológica até reencontrar duas de suas irmãs nesta quarta-feira (9), data em que celebra 67 anos de idade.
O reencontro ocorreu após ajuda de busca e identificação da DPPD (Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas), especializada da Polícia Civil de Santa Catarina.
Conforme o relato policial, o ponto de virada na história aconteceu em 1º de setembro, quando José caminhava em frente à sede da DPPD, em Florianópolis. Ao notar a placa de identificação da unidade policial, decidiu entrar no prédio para solicitar auxílio na localização dos irmãos, com quem havia perdido o contato desde a juventude.
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Em menos de 48 horas, o setor de investigação mapeou o paradeiro dos familiares e, oito dias após o primeiro contato, um abraço esperado por mais de cinco décadas foi dado na delegacia.
O acolhimento inicial foi conduzido pela servidora administrativa Adriana Ventura Silva, que formalizou o histórico e encaminhou os dados preliminares à equipe de investigação para cruzamento em bancos de dados oficiais.

Família voltou a conversar e mostrou fotos antigasVídeo: PCSC/Divulgação/ND Mais
O delegado titular da DPPD, Abel Mantovani Bovi, destacou que as ferramentas tecnológicas do sistema policial foram determinantes para o desfecho rápido. “Começamos os trabalhos de levantamento e pesquisa nos sistemas disponíveis da Polícia e conseguimos localizar seus familiares e agendar o encontro dele com as irmãs para hoje, justamente na data em que ele comemora 67 anos”.
Após o rastreamento dos números de telefone pela polícia, os irmãos mantiveram conversas diárias durante quase uma semana até que chegasse o momento do encontro presencial.
Na tarde desta quarta-feira, Jovelina Garcia Pessoa, de 60 anos, residente em Balneário Camboriú, e Marta Garcia Pessoa, de 57 anos, moradora de Navegantes, compareceram à sede da DPPD para o reencontro familiar.
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Os desencontros dos 14 irmãos começaram após a morte da mãe da família, em Lages, na Serra catarinense, período em que José Francisco, natural de São José do Cerrito, tinha apenas 13 anos.
Após isso, ele morou em Blumenau e Joinville, viveu no Paraná e em São Paulo e, mais tarde, retornou a Santa Catarina, ficando em Itajaí até chegar a Florianópolis, onde conheceu sua esposa, com quem está casado há 42 anos.
“Foi um presente de Deus encontrar minhas irmãs neste aniversário. Estou feliz da vida. Eu sentia falta delas, sonhava com elas e dizia que um dia iria encontrá-las. Mas, depois de tantos anos, eu não esperava encontrar tão rápido”.
Durante o depoimento às autoridades, Jovelina revelou que um tio de Lages disse que José havia morrido anos atrás. O chamado telefônico da equipe de investigação desmentiu o boato e devolveu o ânimo à família.
“Foi muito bom saber. A gente tinha acabado de enterrar um dos meus irmãos e descobrir que o José estava vivo me deu um alívio. No meu caso, eu não o via há mais de 60 anos. É muito triste saber que um irmão morreu sem a gente conseguir se ver”.
Irmã contou que tio havia confirmado a sua morteFoto: PCSC/Divulgação/ND MaisA confirmação da identidade também dependeu de detalhes físicos preservados na infância de Marta. Quando a polícia contatou a irmã caçula, a primeira pergunta feita aos agentes foi sobre as mãos de José Francisco.
Ainda na juventude, o homem havia sofrido um acidente de trabalho com maquinário fabril, tendo amputado a ponta de dois dedos, traço que permaneceu vívido na memória da irmã ao longo de décadas.
“Eu sempre quis conhecê-lo novamente, porque ele era um irmão de quem eu tinha uma boa lembrança. Estou muito feliz de poder passar o aniversário dele com ele”.