O advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Paulo Cunha Bueno, negou, na quinta-feira (23), que o ex-chefe do Executivo tenha atendido a uma ligação do ex-deputado Alexandre Frota (PDT) durante a transmissão de um podcast. O criminalista classificou a insinuação como “maldosa” e “teatral”.
Durante a entrevista ao vivo, Frota fez uma chamada telefônica de seu celular para um contato cuja voz foi considerada por alguns como semelhante à do ex-presidente. Na gravação, ouve-se uma pessoa dizendo “alô” duas vezes, e em seguida Frota questiona: “Cara, o que é que eu fiz?”.
Em publicação nas redes sociais, o advogado afirmou que “o presidente Bolsonaro, há muito tempo, não mantém ligação com o sr. Alexandre Frota, por razões mais do que públicas e notórias”. Bueno também destacou que o ex-presidente “não tem acesso a quaisquer telefones celulares, tendo obedecido rigorosamente à limitação imposta em seu decreto de prisão domiciliar humanitária”.
O defensor explicou que todas as pessoas que entram na residência — incluindo prestadores de serviços, médicos e advogados — são submetidas a revista prévia e obrigadas a entregar seus dispositivos eletrônicos (telefones, tablets, smartwatches) à equipe de segurança, que permanece 24 horas na entrada do imóvel. Ele lembrou ainda que, em recente operação de busca e apreensão na residência, nenhum aparelho celular foi encontrado em posse do ex-presidente.
“Qualquer ilação de que o presidente Bolsonaro atendeu alguma ligação do sr. Alexandre Frota é, portanto, leviana e nitidamente busca, só e somente, causar celeuma e trazer holofotes oportunistas”, concluiu Bueno.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses em regime domiciliar humanitário por crimes contra o Estado Democrático de Direito. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proíbe expressamente o uso de qualquer aparelho que permita o contato do ex-presidente com o exterior.