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Abstenções e votos nulos em Mato Grosso impõem desafios para as eleições de 2026

As abstenções e votos nulos em Mato Grosso permanecem elevados em Mato Grosso, segundo a Justiça Eleitoral.Foto: Arquivo/Agência Brasil/ND

A participação do eleitorado é um dos pilares da democracia representativa. No entanto, o aumento da abstenção e votos nulos em Mato Grosso tem se tornado um fenômeno cada vez mais relevante nas eleições no estado e no país.

Embora essas manifestações não tenham o poder de invalidar uma eleição, elas influenciam diretamente a matemática eleitoral e levantam questionamentos sobre a legitimidade política dos representantes eleitos.

Dados da Justiça Eleitoral mostram que o índice de abstenção em Mato Grosso permanece elevado nos últimos pleitos. Nas eleições municipais de 2024, 629.483 eleitores deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno, o equivalente a 24,32% do eleitorado apto. O percentual superou o registrado nas eleições municipais de 2020, quando a abstenção ficou em 23,38%.

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Já nas eleições gerais de 2022, Mato Grosso registrou 23,40% de abstenção no primeiro turno, representando 576.914 eleitores ausentes. No segundo turno, houve uma pequena redução para 22,53%, mas ainda assim mais de 556 mil pessoas deixaram de votar.

As abstenção e dos votos nulos em Mato Grosso permanecem elevados em Mato Grosso, segundo a Justiça Eleitoral.Foto: Foto: TRE-PI/Divulgação/ ND MaisAs abstenção e dos votos nulos em Mato Grosso permanecem elevados em Mato Grosso, segundo a Justiça Eleitoral.Foto: Foto: TRE-PI/Divulgação/ ND Mais

Os números mostram que praticamente um em cada quatro eleitores mato-grossenses não participou das últimas disputas eleitorais, cenário que preocupa especialistas e autoridades da Justiça Eleitoral.

Como a abstenção afeta os resultados

Um dos equívocos mais comuns entre os eleitores é acreditar que votos nulos ou altos índices de abstenção podem anular uma eleição. Na prática, isso não acontece.

Pela legislação brasileira, apenas os votos válidos são considerados para definir os vencedores das eleições. Isso significa que votos brancos, nulos e as ausências são descartados da contagem final.

O resultado é uma redução da base de cálculo utilizada para determinar os eleitos. Em disputas majoritárias, como governador, senador e presidente da República, o candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos para vencer em primeiro turno. Quando há muitos eleitores ausentes ou anulando o voto, o número absoluto de votos necessários para alcançar essa maioria diminui.

Votos nulos ou altos índices de abstenção não podem anular uma eleição.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND MaisVotos nulos ou altos índices de abstenção não podem anular uma eleição.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND Mais

O mesmo raciocínio vale para as eleições proporcionais, como deputado estadual, deputado federal e vereador. A redução dos votos válidos interfere diretamente no cálculo do quociente eleitoral, mecanismo que define quantas cadeiras cada partido ou federação terá direito.

Na prática, quanto maior o número de eleitores que deixam de participar do processo, maior tende a ser o peso relativo dos grupos politicamente mais organizados e mobilizados.

Cuiabá registrou recorde de ausências

O impacto desse fenômeno pôde ser observado nas eleições municipais da capital mato-grossense.

No segundo turno das eleições de 2024 realizado em Cuiabá, a abstenção atingiu 25,73%, um dos maiores índices já registrados na cidade. Mais de 114 mil eleitores deixaram de comparecer às urnas.

Abstenções e votos nulos em Mato GrossoAbstenção atingiu um dos maiores índices já registrados na cidade na eleição de 2024.Foto: Davi Valle/Prefeitura de Cuiabá/Divulgação/ND Mais

O cenário obrigou as campanhas a recalcularem estratégias e concentrarem esforços na mobilização dos eleitores que ainda demonstravam disposição para participar do processo eleitoral. Em disputas acirradas, pequenas variações na taxa de comparecimento podem ser suficientes para alterar o resultado final.

O fenômeno também evidencia uma mudança no perfil do eleitorado participante, já que a decisão passa a ficar concentrada em uma parcela menor da população.

O peso do “não voto”

Nas grandes cidades brasileiras, a soma de votos brancos, nulos e abstenções já chegou a superar a votação obtida por prefeitos eleitos. Embora esse cenário ainda não seja regra em Mato Grosso, ele serve como alerta para os centros urbanos do estado.

Quando o chamado “não voto” cresce, a influência de militâncias partidárias, grupos organizados e eleitorados mais engajados aumenta proporcionalmente. Isso ocorre porque a participação reduzida faz com que cada voto válido tenha peso maior na definição do resultado.

Nas eleições estaduais de 2022, por exemplo, os mais de 576 mil eleitores ausentes representaram um contingente populacional superior ao número de habitantes de grande parte dos municípios mato-grossenses individualmente.

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