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A pedido da Itália, assinatura do acordo Mercosul-União Europeia é adiada para janeiro

O acordo Mercosul-União Europeia não será assinado neste sábado (20), como previsto. A presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, informou a líderes do bloco que a ratificação ficará para janeiro, ainda sem data específica. A informação parte da agência de notícias AFP.

Inicialmente, a assinatura que criaria a maior área de livre comércio do mundo estava organizada para acontecer em Foz do Iguaçu, no Paraná. Porém, o adiamento ganhou força após a Itália se juntar à França, Polônia e Hungria no grupo de países que busca mais tempo para garantir salvaguardas aos seus produtores.

Em protesto nesta quinta-feira (18), em Bruxelas, na Bélgica, onde os líderes europeus estão reunidos, agricultores foram presos após entrarem em conflito com a polícia ao atirarem pedras e batatas contra a força-armada. Eles temem que a entrada de produtos agropecuários de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai gere concorrência desleal no mercado interno.

Em conversa com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que ela não é contra o tratado, mas que disse precisar de mais tempo para convencer os produtores do país a aceitarem o acordo.

Porém, com a entrada da Itália no grupo de países contrários, a regra do bloco europeu foi cumprida, já que são necessários ao menos quatro países dissidentes, que correspondam a 35% da população, para adiar votações.

Por outro lado, países como Alemanha, Espanha e demais nações nórdicas, casos de Noruega, Suécia e Finlândia, defendiam a aprovação do acordo de forma imediata, temendo que prorrogações tivessem consequências.

Na última reunião ministerial do ano, realizada ontem (17), Lula disse que o Brasil e os demais países do Mercosul já fizeram concessões relevantes ao longo dos mais de 20 anos que se arrastam as negociações. “Já avisei para eles [os líderes europeus]: se a gente não fizer o acordo agora, o Brasil não fará mais enquanto eu for presidente”, declarou.

O acordo comercial entre os dois blocos prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

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