Existe algo de curioso e até previsível na forma como determinados grupos políticos tentam se manter relevantes quando os fatos começam a apertar, surge a velha e conveniente narrativa da “perseguição”. É quase um manual. Não importa o conteúdo, não importa a gravidade, o roteiro é sempre o mesmo de desacreditar, vitimizar-se e, principalmente, tentar confundir a população.
Mas em Paranaguá, essa construção começa a ruir diante da realidade.
Contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná não significam salvo-conduto para tudo o que ocorreu na gestão. Aprovação de contas não é atestado de ausência de irregularidades administrativas específicas, tampouco impede que outros órgãos cumpram seu papel. E é exatamente isso que está acontecendo.
O Ministério Público do Paraná e o GAECO não trabalham com narrativas políticas, trabalham com fatos, indícios e evidências. E, ao que tudo indica, há material suficiente para investigação.
O que existe de concreto não é perseguição. São indícios.
Indícios que envolvem contratos firmados entre a empresa AGP Saúde Ltda. e a gestão do ex-prefeito Marcelo Roque. Contratos esses que ultrapassam a casa dos R$ 9 milhões em recursos públicos destinados à saúde área que, por si só, exige o mais alto nível de responsabilidade.
A base das informações não nasce de boatos de rede social, nem de opiniões travestidas de notícia. Ela está ancorada na Fiscalização nº 632:3461 da Coordenadoria de Acompanhamento de Atos de Gestão do próprio Tribunal de Contas, que analisou contratações para testagens domiciliares e elaboração de pesquisa estatística.
E o que chama atenção?
Concentração de pagamentos em curto período. Volume expressivo de recursos.
Atuação recorrente de uma mesma empresa em diferentes municípios sob suspeita.
Isso não é julgamento. É alerta.
A imprensa, ao contrário do que tentam fazer crer os arautos da desinformação, não condena, informa. Não sentencia, esclarece. Não persegue, cumpre seu papel. Dar transparência a contratos milionários com dinheiro público não é ataque político; é obrigação.
O verdadeiro desserviço à população vem daqueles que, escondidos atrás de perfis e páginas, tentam inverter a lógica dos fatos. Blogueiros de ocasião, ex-cargos comissionados e operadores de narrativa que insistem em tratar investigação como conspiração e perseguição política.
A cidade não precisa de cortina de fumaça. Precisa de clareza.
Está mais do que na hora de retirar as máscaras, não as sanitárias que marcaram um período difícil da história recente, mas aquelas usadas para distorcer a realidade.
Porque, no fim, a pergunta que realmente importa para o cidadão de Paranaguá é simples:
o dinheiro público foi usado da forma correta?
E essa resposta não virá de discursos indignados nas redes sociais. Virá das investigações.
E, sobretudo, da verdade.