Mais de 115 mil crianças matriculadas nas 248 unidades municipais de ensino em Guarulhos terão uma Páscoa amarga este ano. Isso porque a Secretaria de Educação decidiu às portas do feriado cancelar a licitação para a entrega dos ovos de páscoa, que já se tornou tradição na cidade. Na coletiva ocorrida na quinta-feira passada (11), o prefeito Lucas Sanches (PL) já tinha alertado aos jornalistas sobre o risco das crianças não receberem os brindes e culpou a situação calamitosa a qual encontrou os cofres do município, após oito anos de seu antecessor, Gustavo Henric Costa, o Guti (PSD).
A decisão de suspender vai contra lei promulgada em dezembro de 2022 e de autoria do Executivo, como forma de garantir aos alunos a possibilidade de receber uma unidade de ovo de chocolate, em especial aos de baixa renda, com atenção especial àqueles que possuem qualquer tipo de restrição alimentar. Durante esse tempo, a prefeitura comprava os itens pela metade do preço do que vinha sendo praticado pelo mercado.
Devido a essa impossibilidade, vereadores, sobretudo os da oposição, se mobilizaram com a ajuda de empresários e líderes comunitários e já organizaram festas para oferecer os ovos de páscoa, em vários bairros da cidade, com enfoque em suas bases eleitorais, caso de Rafael Acosta (PSB) que chegou a se fantasiar de coelhinho da páscoa. Até o vice-prefeito Thiago Surfista (NOVO) distribuiu chocolates às crianças, ao lado de seu colega de partido o também vereador Júnior Caiçara.
Em seu perfil no Instagram, o ex-prefeito Guti alegou que, este ano, as crianças em Guarulhos ficarão “chupando o dedo” e apontou o atual prefeito como o principal responsável, dizendo que ele foi um dos poucos vereadores à época a ser contra a lei para a distribuição dos ovos. Por sua vez, Lucas Sanches, também por meio da mesma rede social, disse ser a favor da entrega e que uma nova licitação será feita pela Secretaria de Assistência Social, mas para o ano que vem, pois esse ano, a principal missão será de enxugar gastos e “arrumar a casa”.
Não bastasse isso, muitos pais relatam que os kits de uniformes e materiais escolares não foram entregues desde o começo do ano letivo, no mês de fevereiro. A situação, que não ocorria há mais de vinte anos, soma-se a outros problemas verificados na área como a troca no final do ano passado de carne por proteína em pó nas merendas por conta de atraso no pagamento a fornecedores.