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Editorial: Março e as políticas públicas para mulheres

No mês dedicado a enaltecer a mulher, diversas iniciativas foram divulgadas em nível municipal, estadual e nacional voltadas para elas, que em sua grande maioria no Brasil são arrimo de família, trabalham durante o dia e à noite se desdobram para cuidar da casa e dos filhos.

Um reconhecimento importante, mas que precisa de ações práticas e que têm de ser reverberadas durante todos os outros meses do ano.

A população no Brasil é composta por 51% de mulheres, aproximadamente 108 milhões de pessoas. Mais de 60% dos universitários brasileiros são do sexo feminino, e elas também são maioria na pós-graduação: 54% dos mestres e 50% dos doutores.

Mas mesmo tendo maior escolaridade média do que os homens, elas ainda ganham cerca de 20% a menos para executar funções equivalentes, e apenas 39,2% ocupam cargos de chefia e liderança.

O desemprego é maior entre as mulheres (11,4%) em relação aos homens (7,9%). E muitas delas ainda passam pelo constrangimento de responder, no momento da entrevista de emprego, “com quem vai ficar o filho caso ele fique doente”, entre tantas questões que não deveriam ser importantes para empregadores e recrutadores, visto que essa pergunta não é feita para o pai da criança. Cerca de 50% delas perderão o emprego depois de o bebê nascer.

Inadmissível é ver mulheres sem direito à saúde, aos exames preventivos, a informações sobre planejamento familiar, pré-natal e atendimento especializado para prevenir doenças que afetam as mulheres.

Ainda mais inadmissível é vermos diariamente notícias de esposas, namoradas, ex-namoradas sendo vítimas de violências de todos os tipos. Sendo mortas.

O Brasil precisa, sim, de políticas públicas para mulheres. Elas serão responsáveis por reduzir desigualdades e garantir direitos básicos ao sexo feminino.

Elas, aliadas à educação, à promoção da igualdade no mercado de trabalho e à participação política, são cruciais para a transformação social e para a construção de uma sociedade mais justa. O mês de março é importante para marcar o anúncio das ações. Mas agora é preciso colocá-las em prática.

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