
O norovírus foi confirmado como o agente causador do surto de virose que afeta Guaratuba, Morretes, Pontal do Paraná e Matinhos, informou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), na sexta-feira (24). A análise foi realizada pelo Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen), que identificou o vírus responsável pelos sintomas de mal-estar, diarreia, náusea e vômito, que levaram milhares de pessoas a buscar atendimento médico durante a temporada.
Segundo a Sesa, até 13 de janeiro, 5.439 pessoas foram atendidas por virose no litoral paranaense, um aumento de 306% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 1.339 casos. A alta demanda fez com que o Governo Estadual instalasse tendas de apoio ao lado das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) para agilizar os atendimentos.
Investimentos
Na quinta-feira (23), em uma coletiva de imprensa realizada dentro de uma das tendas em Matinhos, o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, minimizou o impacto do surto. “É mais um vírus de tantos outros que circulam onde há aglomeração de pessoas. Nós temos a vantagem de ter em Matinhos 100% de saneamento básico, então as coisas estão acontecendo da melhor forma possível”, declarou ao ser questionado pelo JB Litoral sobre a gravidade da situação.


Durante a coletiva, o secretário não apresentou detalhes sobre a origem do surto, mas anunciou um repasse adicional de R$ 865 mil para Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná. O recurso será destinado à compra de medicamentos injetáveis e ao custeio das equipes médicas que atuam nas tendas de apoio.
“Tivemos uma demanda muito grande no Litoral durante o réveillon, mas as UPAs, reforçadas pelas tendas, têm atendido à necessidade. Se for necessário, o Governo do Estado realizará novos repasses financeiros”, afirmou Beto Preto.
Contaminação
O norovírus é um dos principais causadores de diarreia aguda no Brasil, de acordo com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Altamente contagioso, ele pode infectar uma pessoa com apenas uma partícula viral e é transmitido pelo contato com fezes, vômitos, objetos ou superfícies contaminados. Além disso, o vírus é resistente às condições ambientais e ao álcool em gel, tornando-o especialmente difícil de eliminar.
As principais formas de contaminação incluem a ingestão de alimentos ou bebidas contaminados, contato com superfícies infectadas seguido de toque na boca e interação direta entre pessoas.
Os sintomas incluem náusea, vômito, diarreia, dor abdominal, febre baixa, cansaço e dor de cabeça.
A ausência de saneamento básico também facilita a disseminação do vírus, permitindo a contaminação da água potável e o descarte de dejetos com alta carga viral diretamente no mar.


Esgoto no Litoral
Nas últimas semanas, os boletins de balneabilidade divulgados pelo Instituto Água e Terra (IAT) mostram uma grande quantidade de locais impróprios para banho. No boletim desta sexta-feira (24), 30 dos 59 pontos monitorados estão inadequados, incluindo os 10 que historicamente são considerados inseguros.
De acordo com o IAT, as fortes chuvas na região contribuem para levar esgoto clandestino ao mar, impactando a qualidade da água. O JB Litoral procurou as prefeituras de Pontal do Paraná, Guaratuba e Matinhos para verificar a situação do esgoto não coletado e tratado.
Em Pontal do Paraná, 28,46% do esgoto gerado não foi coletado e tratado em 2024, segundo a Prefeitura. Já em Guaratuba, dados de 2023 apontam que 14% do esgoto gerado não é tratado pela Sanepar. A Prefeitura de Matinhos não respondeu à demanda.
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) informou que 26% dos imóveis no litoral paranaense não estão conectados à rede coletora de esgoto.
Prevenção
Para evitar o contágio pelo norovírus e outros agentes causadores de gastroenterites, a Sesa recomenda algumas medidas:
• Lave as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente antes das refeições e após usar o banheiro.
• Consuma apenas água potável ou filtrada.
• Lave bem frutas, verduras e legumes antes de consumir.
• Evite alimentos de locais com condições inadequadas de higiene.