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Editorial: Maio Laranja: a infância sem violência

Maio chega carregado de um simbolismo que não pode ser ignorado: o compromisso coletivo com a proteção de crianças e adolescentes diante de uma das mais graves violações de direitos, a violência sexual.

Em Santa Catarina, a mobilização do Ministério Público ao longo do chamado Maio Laranja reforça uma premissa essencial: prevenir ainda é o caminho mais eficaz para romper ciclos de abuso que, por sua natureza silenciosa, prosperam na omissão e no desconhecimento.

A iniciativa de levar informação a diferentes regiões do Estado, por meio de palestras e ações educativas, revela uma estratégia acertada. Não basta reagir aos crimes já consumados, é preciso construir uma sociedade capaz de reconhecer sinais, acolher vítimas e agir com responsabilidade.

Ao aproximar o Ministério Público da população, essas ações contribuem para reduzir distâncias institucionais e ampliar a confiança nos mecanismos de denúncia.

Nesse contexto, o lançamento de um canal digital em Fraiburgo surge como exemplo concreto de inovação a serviço da proteção. Ao simplificar o acesso e garantir sigilo, a ferramenta enfrenta uma das maiores barreiras à denúncia: o medo.

Muitas vítimas permanecem em silêncio não por falta de evidências, mas por ausência de caminhos seguros. Facilitar esse acesso é, portanto, um passo decisivo para transformar conhecimento em ação.

Outro aspecto que merece destaque é o avanço no enfrentamento aos crimes no ambiente virtual. A atuação especializada no meio digital demonstra que o combate à exploração sexual precisa acompanhar a dinâmica contemporânea, onde a violência também se manifesta em redes e dispositivos. A resposta institucional, nesse caso, exige tecnologia, inteligência e integração, elementos que já começam a se consolidar.

No entanto, nenhuma estratégia será plenamente eficaz sem o engajamento da sociedade. Denunciar não é apenas um direito, é um dever cívico. Pais, educadores, vizinhos e toda a rede de convivência precisam estar atentos e preparados para agir. A diferença entre abuso e exploração, muitas vezes desconhecida, precisa ser compreendida para que situações de risco não sejam minimizadas ou ignoradas.

A origem do Maio Laranja, marcada por um crime brutal que jamais deveria ter ocorrido, segue como um alerta permanente. Mais do que lembrar, é preciso transformar indignação em compromisso contínuo.

A proteção da infância não pode ser pauta de ocasião, restrita a um mês no calendário. Ela deve ser prioridade constante, sustentada por políticas públicas, atuação institucional firme e, sobretudo, por uma sociedade que se recusa a fechar os olhos.

Porque, diante da violência contra crianças e adolescentes, o silêncio nunca é neutro. O silêncio sempre favorece o agressor.

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