Exame de sangue simples detecta risco de Alzheimer anos antes. RNL elevada indica maior probabilidade de desenvolver demência. Saiba como funciona.
Por Dr. Paulo Budri
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Um exame de sangue simples poderia identificar o risco de Alzheimer antecipadamente — e o sistema imunológico pode estar envolvido nesse processo. Pesquisadores da NYU Langone Health descobriram que uma medição rotineira de glóbulos brancos pode ajudar a prever quem desenvolverá a doença antes de qualquer sintoma aparecer.
Como o exame de sangue identifica risco de Alzheimer
Os neutrófilos são um tipo de glóbulo branco que circula na corrente sanguínea. Eles atuam como os primeiros defensores do corpo contra infecções e inflamação. Quando o sistema imunológico é ativado, o número de neutrófilos aumenta rapidamente, alterando o equilíbrio entre essas células e outros tipos de células imunológicas.
Os médicos podem medir esse equilíbrio utilizando um valor padrão de laboratório chamado razão neutrófilos-linfócitos (RNL). Esse número é calculado rotineiramente a partir de um hemograma completo, um teste comum usado para detectar infecções e avaliar a saúde imunológica.
A pesquisa sugere que essa medição simples pode fazer mais do que refletir doenças atuais. Ela poderia ajudar a identificar pessoas com maior risco de desenvolver Alzheimer e demências relacionadas, mesmo antes de qualquer sintoma aparecer.
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Estudo em larga escala vincula células imunológicas ao risco de demência
“Nosso estudo é a primeira investigação em larga escala mostrando que métricas de neutrófilos estão associadas ao aumento do risco de demência em humanos”, afirmou Tianshe (Mark) He, PhD, cientista de dados do Departamento de Psiquiatria da NYU Grossman School of Medicine.
A pesquisa foi publicada em 3 de abril na revista Alzheimer’s & Dementia. Os pesquisadores analisaram dados de aproximadamente 285 mil pacientes tratados em quatro hospitais da NYU Langone e cerca de 85 mil indivíduos da Administração de Saúde dos Veteranos.
Para garantir precisão, a equipe utilizou a medição de RNL mais antiga de cada paciente. Essas leituras tinham de estar dentro do período do estudo, ser feitas quando os pacientes tinham pelo menos 55 anos e ocorrer antes de qualquer diagnóstico de Alzheimer ou demência. Os pesquisadores então acompanharam se essas pessoas desenvolveram demência durante o período estudado.
Metodologia do estudo sobre risco de Alzheimer
O estudo examinou dados de quase 400 mil pacientes em dois grandes sistemas de saúde. Os pesquisadores acompanharam o desenvolvimento de demência ao longo do tempo, correlacionando os níveis iniciais de RNL com diagnósticos posteriores de Alzheimer e outras formas de demência.
Em ambos os grupos analisados, níveis mais elevados de RNL foram consistentemente associados a uma maior probabilidade de desenvolver Alzheimer ou outras formas de demência. Essa relação manteve-se verdadeira tanto para risco de curto prazo quanto de longo prazo.
RNL elevada vinculada a risco de curto e longo prazo
A análise também revelou diferenças entre subgrupos populacionais. Pacientes hispânicos mostraram uma associação mais forte entre RNL elevado e risco de demência, embora permaneça incerto se isso reflete influências genéticas ou fatores sociais como diferenças no acesso ao cuidado médico.
Mulheres em ambos os sistemas de saúde também apresentaram maior risco associado ao RNL elevado. Esses achados sugerem que a relação entre marcadores imunológicos e risco de demência pode variar entre diferentes grupos demográficos.
Por que esse marcador sanguíneo importa
Segundo Dr. Jaime Ramos-Cejudo, professor assistente dos Departamentos de Psiquiatria e Neurologia na NYU Grossman School of Medicine, os achados são importantes por dois motivos principais. Por si só, um RNL alto é improvável que sirva como preditor definitivo de demência.
No entanto, quando combinado com outros fatores de risco conhecidos, ele poderia ajudar a identificar indivíduos que podem se beneficiar de monitoramento mais próximo, testes adicionais ou intervenções precoces. Essa abordagem oferece uma oportunidade valiosa para detecção precoce e possível prevenção ou desaceleração do declínio cognitivo.
Os pesquisadores continuam investigando se os neutrófilos estão ativamente contribuindo para a progressão da doença de Alzheimer, não apenas marcando risco. Esse conhecimento futuro poderia abrir novos caminhos para tratamentos direcionados contra a inflamação imunológica.
Matéria original: https://www.sciencedaily.com/releases/2026/04/260422044620.htm