Durante a Hannover Messe, na Alemanha, o Brasil avança na construção de modelo voltado à inclusão de catadores e cooperativas na cadeia produtiva dos biocombustíveis. A proposta é ampliar a captação de diferentes tipos de óleo residual, especialmente óleo de cozinha usado. A iniciativa reúne a expertise de empresas brasileiras e do Sebrae na capacitação e formalização de pequenos negócios, cooperativas e trabalhadores da reciclagem, dando início a uma rede nacional capaz de conectar coleta, logística e indústria em escala.
O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, destacou que a vocação da instituição é transformar pequenos negócios em fornecedores preparados para atender cadeias produtivas. “Este anúncio trata diretamente da economia circular, com impacto na economia mundial, pois os catadores entram na cadeia que valoriza a sustentabilidade, a cidadania e agrega valor ao próprio trabalho dos catadores e catadoras”, afirmou.
Há impacto positivo para o meio ambiente, porque evita que o óleo residual seja descartado incorretamente e polua rios e sistemas de água. É positivo para a economia, pois gera renda e oportunidades para quem mais precisa. E é estratégico para a indústria, ao criar uma fonte sustentável de matéria-prima reconhecida globalmente.
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae
“Para atender mercados exigentes, inclusive internacionais, é fundamental garantir origem, registro e controle de todo o processo”, explica Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, primeira empresa brasileira a exportar biodiesel certificado para os Estados Unidos. “Com tecnologia simples, muitas vezes via aplicativo no celular, é possível registrar a coleta, a origem e a entrega da matéria-prima. Isso nos permite mensurar os ganhos ambientais e monetizar créditos de carbono ou outros atributos sustentáveis”, explicou.
O Sebrae já atua nessa agenda junto a centenas de cooperativas em mais de 20 estados brasileiros, o que pode acelerar a implementação do projeto, especialmente em regiões próximas às plantas industriais, reduzindo custos logísticos e ampliando eficiência operacional. “Estamos falando de geração de renda, fortalecimento de cooperativas, impulso aos pequenos negócios, descarbonização das cidades e avanço da economia circular. Não existe sustentabilidade de verdade sem inclusão. E não existe inclusão sem oportunidade econômica.”
Biocombustível brasileiro em destaque na Alemanha
Durante agenda em Hannover, na segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o potencial dos biocombustíveis brasileiros apresentados na Alemanha. Segundo ele, a tecnologia nacional demonstra competitividade ambiental e capacidade imediata de aplicação em grandes centros urbanos. Representantes do setor explicaram que a substituição do diesel convencional por biocombustível em ônibus urbanos pode ocorrer de forma imediata, com adaptações simples, reduzindo em até 99% a emissão de fumaça preta e contribuindo para a melhoria da qualidade do ar nas cidades.