A queda nos homicídios no primeiro trimestre deste ano confirma que Santa Catarina segue entre os mais seguros do país. Em março, 90% dos municípios catarinenses não registraram assassinatos, um dado que reflete o trabalho de integração e inteligência das forças de segurança. Um resultado expressivo, que coloca o Estado em um patamar de segurança comparável ao de países desenvolvidos.
A redução observada desde janeiro, com 43 casos, passando por fevereiro, com 33, e chegando a março, com 40 ocorrências, reflete uma estratégia baseada em inteligência, integração entre forças de segurança e atuação preventiva, que tem se mostrado ferramentas eficazes tanto na prevenção quanto na repressão ao crime.
É justo, portanto, reconhecer o esforço institucional e os resultados alcançados. Em um país onde a violência ainda impõe desafios estruturais, Santa Catarina se destaca como um território onde viver continua sendo, em grande medida, sinônimo de segurança.
Porém, os dados mostram que 31 municípios ainda registraram homicídios em março. Embora representem uma minoria, são cidades onde a violência é rotina, é medo concreto. Para essas populações, os números positivos do Estado pouco dizem sobre a experiência diária.
Não se trata apenas de reduzir índices gerais, mas de compreender e enfrentar as dinâmicas locais da violência. Cada município com registro de homicídio carrega suas particularidades: disputas territoriais, vulnerabilidades sociais, fragilidade na presença institucional. Ignorar essas diferenças é comprometer a sustentabilidade dos avanços.
A política pública que funciona no agregado precisa, agora, chegar com precisão onde ainda falha. Isso significa investir em inteligência territorializada, fortalecer o policiamento de proximidade, ampliar políticas sociais e garantir que o Estado esteja presente antes que o crime se estabeleça.
Manter Santa Catarina como referência em segurança exige mais do que celebrar resultados, exige olhar para os pontos fora da curva como prioridade e não como exceção. Afinal, um Estado só pode ser considerado verdadeiramente seguro quando essa condição alcança todos os seus cidadãos, em todas as suas cidades.