A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quarta-feira (8), a “Operação Golpe Bancário”, voltada a desarticular uma organização criminosa especializada em estelionatos. O grupo focava sua atuação em clientes de instituições financeiras, com prioridade para idosos residentes na capital paulista.
Até o início da manhã, três suspeitos foram presos: Maycon Costa Campos Pinto, Raphael de Almeida Santos e Bruno dos Santos Soares. Além das prisões, a operação, conduzida pela 2ª Delegacia de Crimes de Estelionato do Deic, cumpriu mandados de busca e apreensão que resultaram na coleta de diversos aparelhos celulares, que passarão por perícia.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, a engenharia social aplicada pelo grupo era sofisticada. O esquema contava com um software capaz de manter a linha telefônica da vítima retida, mesmo quando ela tentava encerrar a chamada.
Ao ligar para a suposta central de atendimento, a vítima era instruída a desligar e discar para o número que constava no verso de seu próprio cartão bancário. Por causa do software, a linha nunca era realmente liberada, fazendo com que a vítima, ao “ligar” novamente, continuasse falando com os criminosos, que se passavam por funcionários bancários.
Com a credibilidade reforçada, os criminosos obtinham senhas e dados. A etapa final consistia no envio de um “motoboy” ao endereço da vítima para recolher o cartão sob o pretexto de realizar uma “perícia” técnica, prometendo que valores subtraídos seriam posteriormente estornados.
Investigação e Defesa
Além dos crimes de estelionato e associação criminosa, a Polícia Civil apura a participação do grupo em um caso de tentativa de latrocínio.
Em nota, a defesa de Bruno dos Santos Soares afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos e que a prisão temporária é uma medida excepcional, não podendo ser interpretada como antecipação de culpa.
Já a defesa de Maycon Costa Campos Pinto manifestou preocupação, alegando que seu cliente já foi absolvido anteriormente por falta de provas em um processo na cidade de Bragança Paulista. O advogado sustenta que a nova medida pode configurar afronta ao princípio do ne bis in idem (vedação de dupla punição pelo mesmo fato) e que tomará as medidas legais para assegurar os direitos do acusado.