A Anthropic adquiriu a startup de biotecnologia Coefficient Bio, como parte de uma estratégia para intensificar atuação na área de saúde, segundo divulgado pelo The Information e pelo Eric Newcomer na última quinta-feira (2). Os valores da transação não foram divulgados, mas estima-se que tenha ficado em torno de US$ 400 milhões.
Cofundada por Samuel Stanton e Nathan C. Fley há cerca de oito meses, a startup utiliza inteligência artificial para tornar a descoberta de fármacos mais eficente, por meio de planejamento de pesquisa, desenvolvimento de medicamentos, gerenciamento de estratégia regulatória clínica e mapeamento de novas oportunidades.
A Coefficient Bio nasceu após Staton e Fley terem atuado na área de descoberta computacional de fármacos na Prescient Desing, da Genentech. Atualmente o board de liderança inclui o CEO Aris Theologis, que ocupou cargos executivos na Evozyne e Paragon Biosciences, e o CTO Nathan Frey, ex-cientista pesquisador na Prescient Design e na Genentech.
A equipe da startup, composta por cerca de 10 pessoas, deverá integrar o time de ciências da saúde e vida da Anthropic, que desenvolve ferramentas para a indústria de biotecnologia.
Investimento da Anthropic em saúde
A aquisição, apesar de ainda não ter sido confirmada oficialmente pelas empresas envolvidas, seria uma atitude condizente com as últimas movimentações da Anthropic, com foco em expandir sua atuação na área de saúde e ciências da vida. A frente atualmente é liderada por Eric Kauderer-Abrams, ex-Detect, Identifeye e Liminal Sciences.
Em outubro de 2025, a bigtech anunciou o lançamento do Claude for Life Sciences, ferramenta que promete auxiliar pesquisadores científicos a fazerem descobertas. O modelo agora se conecta com ferramentas como Benchling e BioRender, já amplamente utilizada por profissionais da área.
Em janeiro, uma atualização trouxe recursos para automatizar tarefas operacionais, incluindo o preparo de submissões regulatórias e a elaboração de protocolos de ensaios clínicos — uma das etapas mais demoradas do desenvolvimento farmacêutico.
A Anthropic é também parceira de empresas da área de ciências da vida, como Sanofi, Novo Nordisk, Genmab, AbbVie, o Allen Institute e o HHMI. O objetivo é integrar o Claude nas operações de provedores de saúde, operadoras de plano de saúde, empresas de tecnologia e startups, oferecendo produtos compatíveis com a Health Insurance Portability and Accountability Act (HIPAA), lei federal dos EUA que protege a privacidade e segurança de informações de saúde sensíveis.
A empresa também anunciou o lançamento de ferramentas para ajudar pessoas a entenderem e navegarem por seus dados pessoais de saúde, além de recursos que prometem ajudar profissionais da saúde a melhorar atendimento ao paciente e lidar com grande volume de mensgaens e transferências.
Segundo comuniado oficial, a base de dados do Claude passa a ter acesso ao Banco de Dados de Cobertura dos Centros de Serviços de Medicare e Medicaid (CMS), à Classificação Internacional de Doenças, 10ª Revisão (CID-10) e ao Registro Nacional de Identificação de Fornecedores (National Provider Identifier Registry).
Integração de IA na indústria farmacêutica
A inteligência artificial vem transformando agressivamente a indústria farmacêutica, com empresas incorporando cada vez mais a tecnologia em seus negócios e realizando investimentos massivos na área.
Neste mês de março, a Earendil Labs captou US$ 787 milhões em uma rodada privada com o apoio da Sanofi e da Pfizer, dinheiro que será destinado à plataforma de IA da empresa de biotecnologia. No Brasil, a startup Maggu AI levantou R$ 22 milhões em uma rodada liderada pela DGF Investimentos, com participação de fundos como Norte Ventures e Latitud. A empresa desenvolve soluções de IA para o varejo farmacêutico, com foco em automação e eficiência operacional.
As aplicações de IA abrangem o teste e descoberta de novas drogas, otimização na produção, triagem molecular, análise preditiva de eficiência de substâncias e prevenção de falhas em equipmentos.
O tempo médio para o desenvolvimento de um fármaco é de 10 a 15 anos, com custos estimados em bilhões de dólares. A ideia é que, por meio de aprendizado de máquina, esses obstáculos sejam reduzidos e fatores como inovação e eficiência sejam priorizados.
As farmacêuticas americanas acreditam que, nos próximos cinco anos, o uso da IA poderá acelerar cronogramas e diminuir custos em pelo menos 50%, ao alavancar soluções mais rápidas e mais baratas em conformidade com órgãos regulatórios, além de reduzir os testes em animais. A FDA (Food and Drug Administration) confirmou, em abril de 2025, que a abordagem deve levar a preços mais baixos para os medicamentos.