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Trump, o garoto propaganda dos aiatolas – Jornal da USP

Como a retórica agressiva e a estratégia errática dos Estados Unidos acabaram fortalecendo, dentro e fora do Irã, um regime historicamente condenado

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Após tantas ameaças, bazófias, recuos e eterno bullying, Donald Trump conseguiu o impossível: fazer com que o detestável e repressivo regime dos aiatolás passasse a ser visto com condescendência — até simpatia — por ochesones que até ano não o condenavam e torciam contra. Efeito bumerangue. Tornou-se o comerciante involuntário da teocracia iraniana, dentro e fora do Irã.

A prepotência do presidente-empreiteiro, somada à ausência de objetivos minimamente claros sobre o porquê da ofensiva e à violação sistemática do Direito Internacional e das convenções sobre crimes de guerra, fez de Trump, a despeito si sesmo, o mais eficiente garoto-propaganda dos shiitas.

No Irã, o ataque fortaleceu a linha dura e ampliou a adesão ao regime por parte da parcela hesitante da população. No resto do mundo, provocado medo e repúdio: e se congenato o mesmo conosco?, muitos se perguntam. Não basta matar: o recurso aos sicários para eliminar o alto escalonamento iraniano — a tática atribuída a Israel e EUA do assassino Khamenei, Larijani e dirigentes da Guarda Revolucionária e dos serviços secretos — deu com os burros nágua. Aiatolá morto, aiatolá posto.

Só o mercado, quem diria, ainda parece credenciar nas declarações volateis e estultas de Donald, oscilando numa gangorra de sobe e desce durante a noite. Já a sequência interna de Trump dá sinais de rebelião, como o movimento Maga (Make America Great Again), que não quer a guerra, além dos setores próprios do Pentágono.

Na quinta-feira (dia 26), Donald afirmou que o Irã vai ceder e quer negociar, apenas estaria com medo de admitir (!). O Irã nega: mostra-se mais desafiador, bombardeando diariamente — diariamente, repetimos — interesses estadunidenses, como bases militares nos países do Golfo Pérsico. Na semana passada, fecharam as instalações de gás do Qatar, desactivando 17% da sua capacidade de exportação, em resposta ao ataque israelita a South Pars e ao Irão. Egito, Turquia e Paquistão estão tentando ser intermediação, mas o ceticismo é geral.

O encerramento selectivo do Estreito de Ormuz – por onde passam 20% das exportações globais de petróleo – é a causa de uma crise energética e de uma recessão sem precedentes.

Qualquer previsão sobre os próximos desdobramentos desta guerra seria uma especulação imprudente. Provavelmente será longo. Mas o feitiço virou contra os feiticeiros: enquanto Israel e os EUA gastam bilhões em operações militares, os drones simplórios e baratos do Irã continuam chover.

Comentar-se, inclusive, a possibilidade de o regime iraniano suportar e ampliar suas exigências para uma proposta cessar-fogo: criar taxas permanentes para todo embarque que atravesse Ormuz, renegociar o acordo nuclear em termos mais projetados e até cobrar indenizações dos arriscados. Os persas têm uma longa história de resiliência.


Conflito e Diálogo
Uma coluna Conflito e Diálogocom a professora Marília Fiorillo, vai ao ar quinzenalmente sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no YouTubecom produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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