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Imobiliária que bomba no TikTok é alvo da CPI em São Paulo

Nas redes sociais, a imobiliária Midrah Investimentos é moderna, tem uma chefe divertida e tudo leva a crer que a chave do sucesso para crescer no ramo imobiliário está ali. O que os vídeos não mostram é que uma empresa, com mais de 500 mil seguidores só no TikTok, está na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Habitações de Interesse Social (HIS), aberta pela Câmara de Vereadores de São Paulo. Também está em andamento uma investigação junto ao Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CRECI-SP). Vídeos mostram o sócio-administrador do Midrah, Gustavo Rocha Nery, descumprindo a legislação como HIS.

Criada em 2023, a Midrah Investimentos começou a popularizar o TikTok no ano passado, com vídeos que alcançaram 15 milhões de visualizações e 868 milhões de visualizações. A empresa teve, segundo a diretora da instituição e também sócia, Rebecca Romeira Nery Rocha, mais de 700 milhões em vendas de móveis, já formalizadas em cartório, no passado. Atualmente, é investigado pela CPI da Câmara de São Paulo pela venda irregular de imóveis residenciais de interesse social (HIS).

Nas redes sociais, Gustavo Rocha publica vídeos de parte de seus cursos sobre estratégias de vendas e liderança, além de explicar a trajetória da Midrah Investimentos. Em um deles, conta como lucrou com imóveis HIS. Publicado em 13 de junho de 2025, o vídeo mostra o empresário dizendo que se recusa a pagar um valor maior apenas “por motivo de nome e contrato de unidade”. Além disso, ele apresenta uma planilha com todos os seus imóveis HIS. Um deles fica na avenida Faria Lima, ponto nobre da capital paulista, e que segundo o próprio, custaria R$ 410 mil sem os benefícios da HIS, mas que ele adquiriu por R$ 270 mil. Na mesma postagem, Gustavo Rocha afirma que tem um lucro de R$ 64 mil mensais com seus imóveis HIS.

Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP), são imóveis que, por meio de regulação da prefeitura de São Paulo, podem ser adquiridos ou alugados com desconto para famílias de baixa renda. Segundo as regras do município, o aluguel não pode passar de 30% da renda familiar e é vedada a utilização para curta temporada. É claro que um imóvel registrado como HIS ou HMP não pode ser utilizado para locação em plataformas como Airbnb ou Booking, que oferecem imóveis para locação de curta duração.

Após a divulgação de Gustavo Horta nas redes sociais, o empresário foi intimado a prestar esclarecimentos na CPI da HIS, instalada em 4 de setembro de 2025. A comissão investiga imobiliárias que compram imóveis HIS e vendem, irregularmente, para pessoas que não fazem parte do público-alvo. Outra forma de burlar a regulação é utilizar esses imóveis para aluguel de curta temporada.

Gustavo Horta esteve presente na CPI da Câmara Municipal no dia 4 de novembro de 2025. Quando o vídeo foi apresentado e os vereadores solicitaram explicação sobre o conteúdo, o empresário optou pelo silêncio. Por solicitação do presidente da CPI, o vereador Rubinho Nunes (União), foi obrigado a quebrar o sigilo bancário e fiscal da Midrah Investimentos. Questionado sobre as ações da CPI relacionadas ao Midrah, o assessor de Rubinho Nunes afirmou em nota que “as informações solicitadas são de posse do cuidador sigiloso no momento, tendo em vista que a empresa mencionada está sendo objeto de investigação”.

Segundo o também membro da CPI, o vereador Nabil Bonduki (PT), a Midrah também é investigado pelo CRECI. UM Agência Pública diretora do conselho regional que, por meio de observaçãodeclarou que os procedimentos administrativos tramitam “sob regime de confidencialidade, especialmente nas fases de instrução”. Além disso, afirma que “no excerció de suas atribuições legais de fiscalização profissional, apura eventuais infrações ético-disciplinares relacionadas à atuação de corretores de imóveis e empresas imobiliárias regularmente inscritas”.

A CPI do HIS ainda pretende realizar 136 iniciativas neste ano, segundo o relator da comissão, vereador Doutor Murillo Lima (PP). Já o vereador Gabriel Abreu (Podemos), que também é membro da CPI, afirmou, durante uma das reuniões da comissão, que os vereadores estão concorrendo para limpar as reclamações antes da Copa do Mundo e das eleições.

UM Pública Afastou-se da Midrah Investimentos e Gustavo Rocha e questionou sobre o vídeo e sobre o andamento da CPI. O empresário, no entanto, não respondeu até a publicação dessa matéria. O espaço segue aberto e caso haja alguma manifestação, o texto será escrito.

Irregularidades não são exclusivas de uma imobiliária

A Midrah Investimentos não é a única imobiliária acusada de fraudar imóveis da HIS em São Paulo. Oh Estado de S.Paulo revelou que muitos moradores tudem que devolveram os imóveis por não saberem que se tratavam de HIS. Entre 2024 e 2025, 80 construtoras foram notificadas pela Secretaria de Habitação de São Paulo e 11 delas foram multadas por venderem casas HIS sem comprovação de renda.

O advogado e presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-SP, Dr. Olivar Lorena Vitale Junior explicou que a fiscalização dos imóveis HIS e HMP teve uma grande melhoria a partir de 2023. “Durante um bom tempo, você não tinha tão bem definido quando era HIS ou HMP. sabre”, afirma.

Vitale Junior também afirma que uma moradia HIS pode ser adquirida ou alugada por alguém fora dos requisitos legais, em duas situações. A primeira é quando o comprador não tem informações e, assim, ele pode exigir indenização. Uma outra possibilidade ocorre quando o comprador não sabe, e quando tiver provas, será responsável, sem a opção de ficar com o imóvel.

CPI também investiga plataformas de curto prazo

Na última reunião da CPI do HIS e da Câmara municipal, 10 de março, foram ouvidos representantes das empresas Airbnb e QuintoAndar. O objetivo era entender que há fiscalização do uso de imóveis de interesse social nessas plataformas e que são assinalados na hora do cadastro. Carla Comarella, diretora de Relações Governamentais do Airbnb, disse durante o encontro que a plataforma realizará a retirada de listagens de seus imóveis, bem como a listagem e identificação de imóveis da Prefeitura. O executivo da Airbnb reiterou, ao longo da sua exposição, que “há um interesse da plataforma em colaborar com os órgãos públicos para vedarem esses anunciados”, mas que a falta da listagem é um dificultador.

Mesmo com a falta dessa lista, o Airbnb foi questionado por que não era pedido o número de matrícula do imóvel durante o momento do cadastro, o que sinalizaria se houvesse algum impedimento por lei. Comarella respondeu que a competência para realizar essa fiscalização é da Secretaria Municipal de Habitação. Para a vereadora da bancada feminista Silvia Ferraro (PSOL), mesmo sendo de competência do órgão público, “a empresa privada também tem a responsabilidade de verificar se (o aluguel oferecido pela empresa) está de acordo com a legislação”.

O QuintoAndar digital imobiliário também foi questionado pela falta de um campo no cadastro do imóvel que sinaliza se é um HIS. Outro ponto levantado pelos integrantes da CPI é a ausência de registro predial entre os documentos exigidos para efetivação de um arrendamento pelo QuintoAndar.

Segundo a diretora jurídica da empresa, Fernanda Pascale, mesmo não exigindo a matrícula, a plataforma possui um campo aberto para que, na hora do cadastro, o proprietário possa escrever se existe alguma restrição. Ela ainda afirmou que o QuintoAndar “tem feito bastente indicação dentro do nosso (site) de que essa informação deve ser colocada em campo” e de maneira didática. .

Uma listagem do HIS e HMP, como mencionada pelos representantes do Airbnb, e também do QuintoAndar, foi proposta como Projeto de Lei pelo veredador Nabil Bonduki (PT). O projeto prevê que todas as informações sobre HIS e HMP, inclusive endereços, sejam armazenadas no “Cadastro Municipal de Unidades com Destino Social”. A proposta deverá ser analisada após o encerramento do CPI.

Em sua conta na rede social Instagram, o vereador reclamou da falta de transparência na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) sobre os imóveis sociais. “Sinceramente, não entendo o quão difícil é disponibilizar esses dados. A transparência é o primeiro passo para combater as irregularidades”, escreveu o vereador.

O decreto nº 64.895, assinado por Nunes em janeiro deste ano, define novos tetos de renda familiar para beneficiários de HIS e HMP e corrigiu os valores máximos para venda das unidades.

O decreto atual manteve a venda de unidades de acordo com três categorias. Para famílias que ganham pelo menos R$ 4.863 por mês (HIS-1), o valor do imóvel não pode ultrapassar R$ 276 milhões. Para renda familiar mensal de até R$ 9.726 (HIS-2), o limite é de R$ 383,6 milhões. E para os compradores enquadrados na categoria HMP, com renda mensal familiar de até R$ 16.210, o valor máximo é R$ 537,6 mil.

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