35,6% das pessoas saem de casa à noite por medo da violência; mulheres são as mais afetadas – Márcia Dantas – Notícias

O medo da violência mudou a rotina de milhões de mulheres brasileiras. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública amostra que mulheres sentem mais medo faça que os homens em todas as situações analisadas pela pesquisa.

Mas o dado vai além da insegurança nas ruas. Segundo o estudo “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”o medo feminino envolve diferentes tipos de violência ao mesmo tempo: agressões, violência sexual, agressões dentro de casa, medo de feminicídio e até limitações na própria rotina.

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Na prática, isso já afeta diretamente o cotidiano. Muitas mulheres evitam sair à noite, mudam trajetórias, 33,5% deixam de usar celular na rua e passam a viver em estado constante de alerta. Uma pesquisa aponta que 35,6% das pessoas saem da cidade à noite por medo da violência e 36,5% passam por trajetos considerados rotineiros.

Imagem: MD News

O estudo também mostra que as mulheres sofrem mais nos casos de violência ligados ao corpo e às relações pessoais. Nos registros de agressão sexual, por exemplo, o percentual feminino é o dobro do masculino: 1,8% contra 0,9%.

Entre as mulheres mais pobres, os números são ainda mais preocupantes. Nas classes D e E, os casos de agressão por parceiro íntimo ou ex-parceiro atingiram 6,4%, mostrando como violência e vulnerabilidade social caminham juntas.

A pesquisa também aponta que o medo da violência deje de ser apenas uma preocupação pontual e passou a influenciar decisões simples do dia a dia. O recebimento de agressões, balas perdidas, violência sexual e confrontos armados altera horários, hábitos e até a forma como as mulheres circulam pelas cidades.

Segundo o levantamento, 96,2% dos brasileiros afirmam ter medo de pelo menos uma situação relacionada à criminalidade. Entre as mulheres, porém, esse sentimento aparece de forma mais intensa, ampla e constante.

Por Daniela Gentil | Revisão: Redação MD News

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