Com as campanhas ganhando fôlego definindo candidaturas para outubro, um termo volta a dominar o vocabulário político: “partido nanico”.
A expressão é usada por adversários como rótulo depreciativo e por analistas como categoria técnica, e nem sempre significa a mesma coisa. Nesta eleição, ela ganha um peso extra: a cláusula de barreira pode varrer do mapa siglas que resistem há décadas.
O que define um partido nanico
Não existe uma definição oficial na legislação eleitoral. Na prática, o rótulo recai sobre partidos com pouca ou nenhuma representação no Congresso, sem força de bancada nos estados e sem estrutura para eleger prefeitos e governadores.
O critério que hoje separa quem sobrevive de quem desaparece é a chamada cláusula de barreira: criada em 2017, ela exige desempenho mínimo nas urnas para o partido continuar tendo acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na TV. Sem isso, a sigla perde relevância prática, mesmo sem ser oficialmente extinta.
Desde que a regra passou a valer, sete legendas já desapareceram por fusão ou incorporação: PPL, PRP, PHS, Pros, PSC, Patriota e PTB.
Quantos partidos disputam 2026
O Brasil chega às eleições de outubro com 32 partidos registrados no TSE, um dos sistemas mais fragmentados do mundo. A maioria não tem representação relevante no Congresso nem nas assembleias estaduais são as legendas de nicho ideológico, muitas vezes ligadas a correntes de esquerda tradicional, que mesmo pequenas insistem em lançar candidatos a presidente e a governador.
Quem está na zona de risco
O caso mais simbólico é o do PSDB. Um partido que dividiu a hegemonia do poder com o PT entre os anos 1990 e 2014 hoje luta para não ser oficialmente enquadrado como nanico. Os tucanos encerram agora a federação com o Cidadania, iniciada em 2022, depois de uma tentativa frustrada de união com o Podemos, e correm atrás de uma nova federação para não ficar isolados na disputa pela cláusula de barreira.
Do outro lado dessa mesma federação, o Cidadania vive um clima de “divórcio” declarado: em junho de 2025, o partido decidiu não renovar a união com o PSDB e agora negocia se federar ao PSB para tentar bater sozinho a meta mínima em 2026.
Os candidatos que os nanicos já confirmaram
Apesar do tamanho reduzido, vários desses partidos já bateram o martelo em nomes para a Presidência e para governos estaduais caso de Hertz Dias (PSTU), Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB). São candidaturas com pouca chance de disputar o poder, mas que cumprem papel de manter a legenda visível e viva no radar eleitoral.
O prazo das convenções partidárias, que ocorreu de 20 de julho a 5 de agosto, foi o momento em que essas siglas precisam decidir coligações e candidaturas, e é também quando ficou mais claro quem corre risco real de desaparecer depois de outubro.